segunda-feira, agosto 08, 2011

Como respeitar o desrespeito a mim?

Tá me estranhando?

Aos que têm orgulho da opressão heterossexual, fica a dica: se o mundo está estranho, “são seus olhos”

07 de Agosto de 2011 às 15:07

Marcel Albuquerque

Outro dia, zapeando pela madrugada, me deparei com um pastor dizendo em um canal alhures: - “Deus quer que você demonstre que depende dele”. Sou avesso a este tipo de concepção, não por intolerância ou qualquer desejo megalomaníaco de ordenar como as coisas devem ser, mas porque nenhum ideário reside ilhado no indivíduo. Toda crença, todo construto intelectual, na medida que causa ações, ultrapassa as barreiras do Eu e adentra o choque de interesses da vida coletiva, presente na intersecção de visões de mundo chamada Política. Mas tudo bem, não preciso dizer isso aos quatro cantos para mostrar desconforto e divergência. Por isso, sem a pretensão de provocar debates, incomodado, apenas publiquei a citação inicial no meu Facebook, sem nenhuma valoração óbvia sobre o tema. Eis que um amigo exclamou: - “Você tá ficando estranho... aliás, o mundo está”.

Meu amigo, no final de contas, estava incomodado com alguém virar e dizer, sem pudor, que é contrário ao que o pastor falou. Mas devo dizer, assim é o processo histórico. Mesmo que os passos sejam de formiga, que existam estruturas que delimitem o percurso, que não se trate em absoluto de evolução, as coisas mudam. Se assim não o fosse, como esta livre crônica poderia ser lida por milhares de pessoas a partir de cliques, como haver cliques, como haver crônicas livres?

Mas tudo aquilo que vai se tornando obsoleto frente aos novos tempos tem de se segurar pelas paredes, atirar em suposta legítima defesa. E é disso que se trata a criação do Dia do Orgulho Hétero, proposto pelo vereador Carlos Apolinário do DEM – aqui cabe falar nomes, apontar dedos na cara. O que é essa medida, senão o grito desesperado de quem não suporta a estranheza que seus olhos têm com o novo mundo? Esse transtorno com as mudanças vem, antes de mais nada, do desejo de viver numa espécie de eterna infância, na Terra do Nunca. A esperança esvaída e descabida de que o mundo tenha nascido junto com a gente e, portanto, que aguarde nossa partida para que se torne algo que não suportamos conviver.

Ao passo que o mundo muda, histórias se repetem. O conservadorismo contrário aos direitos homossexuais não é lá muito diferente dos movimentos reacionários que digladiaram-se contra todas as outras formas de inclusão. Se é pra parar o tempo e defender o direito daquele que não precisa de direitos, pois é quem estipula as regras do jogo, façamos isso da melhor maneira. Vamos celebrar a estupidez humana! Que o Haiti seja aqui e a escravidão não cesse – e bóias-frias possam ser bestializados na cara do Estado. Que a mulher fique no fogão, uma vez que estamos numa sociedade patriarcal. Que o voto volte a ser por renda, pois a Política é para os sábios de bolsos polpudos. Que se faça ditadura, que se coroe o Eike Batista, que se devaste toda a população nativa deste país de vez – se possível, que taquemos canhotos na fogueira de São João. E criemos dias para tantas vitórias. Se comemoram a abolição da escravatura, pesquisemos o dia que chegou o primeiro navio negreiro, formulemos a lei e soltemos fogos. Aliás, façamos um mês – podemos chamá-lo até de Bolsonarembro. Um mês para lutar pelo direito de oprimir todo grupo que não for capaz de sobreviver aos ataques que julgarmos convenientes. Voltemos à lei do mais forte, da selva. Larguemos a Constituição, sejamos bichos que não largam o osso. Façamos guerra - de paus e pedras.

O Dia do Orgulho Hétero é a busca de voltarmos à pureza do mundo. É o homem em essência, não o bizarro. O mesmo bizarro que é o negro livre no comando da nação mais rica do mundo, enquanto uma mulher – vejam que disparate! - toma conta das coisas aqui nessas terras onde canta o sabiá. É o desejo de vivermos como o mundo sempre foi. Voltemos à ditadura, a Tv em preto e branco e demos a 10 pro Pelé. Ou será que o mundo já existia antes disso?

Sabe, a roda viva gira e nem sempre é na direção que levaríamos, se controlássemos o volante da História sozinhos. Hoje, sem muito cálculo, o amigo que divirjo em pontos tão fundamentais é uma das pessoas que mais gosto de ter por perto. E suporto os embates exatamente através da tolerância ao direito de sermos diferentes.

O carro-chefe da contrariedade à homossexualidade vem da religião. Mas vale lembrar que o Estado é laico e caso opte-se por este confronto, é ilegítimo que se dê pela legalidade, já que o papel do Estado é garantir direitos iguais – e qualquer um que incite contrariedade disso terá de ser julgado e punido dentro das regras do jogo. Já a rejeição ao homossexual por parte daquele que se traveste de tolerante, diz ser de gosto, como se a questão fosse assim tátil ou visual. Esse desgostar, se não é propriamente o preconceito – apenas um conceito discriminatório -, é a causa-mor dos preconceitos posteriores. Na realidade, o nojo e o choque que um beijo gay na novela das oito provocaria em tantos brasileiros não é meramente sensorial, mas de valores. O hétero pode beijar, o homossexual não – pois “não é normal” (sic). É por tantos estranharem para o Outro (“diferente”) o que é usual para si, que cabe o Orgulho Gay. É o orgulho de ser debochado no Ensino Fundamental, desprezado na entrevista de emprego, ser alvo de olhares odiosos pelas ruas, negado à religião, agredido de tantas maneiras e, ainda assim, conseguir com toda a doçura, espontaneidade e graça que lhes é peculiar, alcançar seus objetivos – dentre eles, a união homoafetiva, que só foi possível por essa batalha coletiva.

Você pode ser contra o homossexual, mas, independentemente da formulação de argumentos que dispuser, isso se dá pela hegemonia Heterossexual – e não por sua exclusão, como no caso do gay. Portanto, há de se entender que esta discriminação, em termos de cidadania, está no mesmo patamar do machismo, do racismo e do elitismo.

Aos que têm orgulho da opressão heterossexual, fica a dica: se o mundo está estranho, “são seus olhos”. Cabe então voltar para si mesmo e fazer o movimento contrário. Estranhe-se!


Fonte: http://brasil247.com.br/pt/247/brasil/10974/T%C3%A1-me-estranhando.htm


Su:

Como respeitar uma posição religiosa q diz q se sou casal homo meus filhos terão problemas psicológicos? - Como se fosse uma questão de gênero e não d cuidado! Como se o fato d ser hetero garantisse filhos sem problemas.

Como respeitar uma religião q me desrespeita e denigre?

Como respeitar o desrespeito q essa religião gera, produz??

Como mudar o mundo se a gente resiste tanto as mudanças?

"O mundo não é moral, é ético" Spinoza

segunda-feira, agosto 01, 2011

...


Eu preparo uma canção

em que minha mãe se reconheça,

todas as mães se reconheçam,

e que fale como dois olhos.


Caminho por uma rua

que passa em muitos países.

Se não se vêem, eu vejo

e saúdo velhos amigos.


Eu distribuo um segredo

como quem anda ou sorri.

No jeito mais natural

dois carinhos se procuram.


Minha vida, nossas vidas

formam um só diamante.

Aprendi novas palavras

e tornei outras mais belas.


Eu preparo uma canção

que faça acordar os homens

e adormecer as crianças.

Fonte: Memoria Viva


Carlos Drummond Andrade

segunda-feira, julho 04, 2011

domingo, 13 de junho de 2010

Novidades em Linfoma - Congresso Americano de Oncologia Clínica (ASCO)

Prezados,

O Congresso americano ocorreu há cerca de uma semana atrás e neste final-de-semana está acontecendo o Congresso Europeu de Hematologia sobre o qual desejo escrever oportunamente.

Em relação aos americanos, apareceram algumas novidades interessantes. Vamos a elas:

Estudo mais esperado:

"Rituximab maintenance for 2 years in patients with untreated high tumor burden follicular lymphoma after response to immunochemotherapy"
G. A. Salles e cols.

Este é o estudo PRIMA, cujos resultados são esperados há cerca de dois anos, pelo menos.

O tratamento atual mais indicado para o linfoma não-Hodgkin Folicular inclui o uso de um anticorpo conhecido como rituximabe (Mabthera) associado com uma quimioterapia.

Há cerca de três anos, dois estudos demonstraram independentemente que, em pacientes com recaída de linfoma folicular, a administração de rituximabe após um segundo tratamento (manutenção) era melhor do que uma simples observação.

No entanto, este achado acabou sendo extrapolado para pacientes em primeiro tratamento, o que não é cientificamente acertado, pois até então não havia estudo com este tipo de paciente.

Pois bem, no estudo PRIMA, foram incluídos 1217 pacientes com linfoma folicular recém-diagnosticado.

Estes pacientes foram tratados com uma combinação de 8 doses de rituximabe com 8 doses de quimioterapia a escolha dos investigadores (poderia ser CHOP, COP ou FCM).

Os pacientes que tivessem uma boa resposta foram separados (randomizados) em dois grupos: em um deles nada foi feito (observação) e no outro foi feita uma dose de rituximabe a cada oito semanas por dois anos (manutenção).

A quantidade de pacientes que tiveram piora ou re-aparecimento da doença ao final de dois anos foi de 18% no grupo que fez manutenção contra 34% no grupo que fez observação, o que foi uma diferença significativa quando usados testes estatísticos adequados.

O outro lado da moeda foi que houve 22% de infecções no grupo de observação e 37% no grupo manutenção.

Para mim, esta questão ainda não está resolvida porque não se sabe ainda qual o impacto deste maior número de recaídas em relação à sobrevida dos pacientes. O linfoma folicular é uma doença crônica e costuma responder bem a outros tratamentos. Talvez, nos pacientes mais jovens, eu seja tentado a fazer a manutenção daqui para frente mas, francamente, tenho medo deste excesso de infecção quando trato pacientes idosos.

Creio que o melhor é esperar os anos passarem para vermos se realmente os pacientes que recebem doses de manutenção vivem mais (e melhor) do que aqueles que não recebem-na.
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Agora, uns curtinhos:

"Randomized study of rituximab in patients with relapsed or resistant follicular lymphoma prior to high-dose therapy as in vivo purging and to maintain remission following high-dose therapy"
R. Pettengell e cols.

Neste importante estudo, 280 pacientes com linfoma folicular foram submetidos a um transplante autólogo de medula. A grande maioria tinha recaído após um tratamento anterior.
A pergunta básica foi:
Adianta fazer rituximabe antes do transplante?
Adianta fazer rituximabe após o transplante?
O resultado foi que os pacientes que fizeram o rituximabe após o transplante (manutenção) tiveram um resultado melhor do que aqueles que não fizeram.
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"Effect of early chemotherapy intensification with BEACOPP in high-risk, interim-PET positive, advanced-stage Hodgkin lymphoma on overall treatment outcome of ABVD"
F. Fiore e cols.

O PET (tomografia por emissão de pósitrons, sob a forma de glicose) é um exame que desde a semana passada tem cobertura obrigatória por parte das operadoras de planos de saúde.
O paciente com linfoma de Hodgkin que tem um PET positivo após o segundo ciclo de quimioterapia parece ter uma maior chance de recaída e não-resposta ao tratamento habitual que é uma quimioterapia chamada ABVD.
Existe uma outra quimioterapia chamada BEACOPP intensificado que parece ser mais eficaz que o ABVD, mas tem muito mais efeitos colaterais.
Neste trabalho, os pacientes começaram o tratamento com ABVD e, após dois ciclos, mudaram para o BEACOPP se o PET estivesse positivo.
Infelizmente, esta estratégia foi mal sucedida já que houve muito mais recaída e progressões de doença no grupo com PET positivo. Novas formas de tratamento devem ser exploradas para estes pacientes.

Fonte: http://linfomacao.blogspot.com/search/label/mabthera

Su: Quantas coisas precisamos entender sem sermos médicos!

Transplante de Medula Óssea

Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas

É um tipo de tratamento proposto para algumas doenças benignas ou malignas que afetam as células do sangue. O transplante de medula óssea consiste na substituição de uma medula óssea doente ou deficitária por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova.

O conceito fundamental para o transplante tem como base que todas as células que circulam no sangue, ou seja, os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos e as plaquetas são originadas de uma única célula que fica na medula óssea, denominada célula progenitora ou célula-tronco (“stem cell”). Por isso, atualmente muitos especialistas preferem utilizar o termo transplante de células progenitoras hematopoéticas (TCPH).

A primeira etapa do procedimento do transplante consiste na coleta de células progenitoras hematopoéticas. Estas células estão localizadas principalmente dentro de ossos chatos, tais como bacia, esterno, vértebras e costelas.

Existem duas formas de coleta destas células: a primeira é feita diretamente através de múltiplas aspirações da medula óssea contida no osso da bacia com agulhas especiais, e a segunda forma é realizada através da utilização de substâncias que estimulam as células progenitoras a circularem em grande quantidade do sangue periférico e com isso serem coletadas através de um processo de “filtração” do sangue em procedimento denominado leucoaférese. Com este segundo procedimento, o sangue é separado e as células progenitoras são alocadas de acordo com o seu peso e armazenadas em um compartimento especial. A opção para cada uma das formas de coleta depende do tipo de transplante a ser realizado dentre outros parâmetros a serem definidos pela equipe médica.

O paciente é então submetido à quimioterapia com ou sem radioterapia em doses aparentemente capazes de erradicar as células da doença e consequentemente as células normais da medula óssea. À esta quimioterapia damos o nome de condicionamento. A reconstituição hematopoética se inicia após a infusão na corrente sanguínea das células coletadas previamente. Com a infusão de células progenitoras em quantidade suficiente do próprio paciente (denominado transplante autólogo) ou de um doador próximo e compatível (denominado transplante alogênico), a função da medula e a produção das células do sangue são restauradas de maneira suficiente a permitir a recuperação de um tratamento intensivo.

A indicação para o transplante de medula óssea depende do tipo de doença, do estágio da doença e da idade do paciente. O paciente deverá estar preferencialmente em remissão (isto é, com doença controlada). Não são todos os pacientes portadores de leucemia ou linfoma, por exemplo, que têm indicação para realização do transplante.

Indicações de transplante de medula óssea

O transplante de medula ou células progenitoras hematopoéticas está indicado para pacientes portadores de mieloma múltiplo, linfoma de Hodgkin, linfoma não-Hodgkin, leucemia mielóide aguda, tumores germinativos, neuroblastoma e doenças caracterizadas por insuficiência medular, tais como mielodisplasia e anemia aplástica grave entre outros. Obviamente, existem particularidades na indicação de transplante para estas doenças no que se refere às características específicas de cada doença, por exemplo, se o procedimento deve ser feito como parte do tratamento inicial ou apenas após uma recidiva. No Brasil, estão bem definidas estas indicações e o momento adequado de sua realização, regulamentados por Portaria do Ministério da Saúde que define as indicações para o transplante não-experimental, ou seja, quando há evidência científica já consagrada na literatura médica.


Fonte: http://www.coinet.com.br/pagina/?CodPagina=47


Su: Vai ficar tudo bem, mãe!

terça-feira, junho 28, 2011

Dia de protesto na saúde mental de Niterói!

Será que as pessoas vão aderir tão em cima da hora?

Fico feliz pelo movimento ter se iniciado no nosso CAPs (Hebert de Souza)!



Situação:


"Galera

Corte do governo justo na saúde: por quê?
...
Com o corte de 25% dos trabalhadores d saúde mental em Niterói teremos uma sobrecarga absurda dos profissionais q ficarão, resultando em maior demanda d trabalho, demissões tb voluntárias devido a impossibilidade d prestar serviço d qualidade, etc! Cada profissinal do CAPs Herbert d Souza atende pelo menos 30 pacientes!

A rede d saúde mental do Rio já tem uma qualidade d funcionamento duvidosa, mas, pelo menos, seus funcionários tem carteira assinada; no caso, a rede d Niterói não é reconhecida, atua como ILEGAL e seus funcionários não possuem NENHUM direito trabalhista! Como pode ser assim se trabalham para o estado e fazem um trabalho q existe??? Absurdo... (No contracheque vem escrito: "recebimento por serviços prestados")

Os trabalhadores já possuem salários baixos e os CAPs não recebe verba para realização de oficinas (fundamental para a clínica) ou reestruturação do local q cuidamos com doações para não cair aos pedaços e o governo só paga a conta d luz? O problema não é só nesse CAPs! Estou enganada??

Nossa rede tem por volta de 7.483 pacientes psiquiátricos! Estamos nos perguntando em q tempo está o surto: se surtaram os responsáveis pelo município ou se querem surtar os profissionais d saúde mental!

Vamos todos de PRETO amanhã!
Luto pela saúde mental e não desisto dessa luta!


SuN



E uma música parida pela ocasião:

Até Quando?
Gabriel O Pensador

Composição: Gabriel o Pensador; Itaal Shur; Tiago Mocotó

Não adianta olhar pro céu
Com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão
Virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus
Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer!
Até quando você vai ficar usando rédea?!
Rindo da própria tragédia
Até quando você vai ficar usando rédea?!
Pobre, rico ou classe média
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
muda que o medo é um modo de fazer censura

Até quando você vai levando? (Porrada! Porrada!!)
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando? (Porrada! Porrada!!)
Até quando vai ser saco de pancada?

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
O seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Cê tenta ser contente e não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e a sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante!
É tudo flagrante! É tudo flagrante!!

A polícia
Matou o estudante
Falou que era bandido
Chamou de traficante!
A justiça
Prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado
E absolveu os PMs de Vigário!

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco
A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que é pra você não ver que o programado é você!
Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede o diploma, não tenho diploma, não pude estudar
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá
Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego, mas onde que eu chego se eu fico no mesmo lugar?
Brinquedo que o filho me pede, não tenho dinheiro pra dar!
Escola! Esmola!
Favela, cadeia!
Sem terra, enterra!
Sem renda, se renda! Não! Não!!

Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente!
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro!

Até quando você vai ficar levando porrada,
até quando vai ficar sem fazer nada

domingo, junho 26, 2011

Sobre a gosto!

Agosto desgosto
do livro Folclore quase sempre

Retorna a Curiosidades


A superstição é filha do medo. 0 homem primitivo não tinha respostas para suas indagações. Por que existiam o Sol, a Lua, as Estrelas, o Raio, o Trovão, a Noite, as Tempestades? Por quê?

Morando na sua caverna, o homem criou, dentro de si, o medo, o respeito, a adoração por todos os fenômenos naturais para os quais não tinha uma explicação. Talvez muitas religiões tenham nascido desse medo, desse respeito e dessa adoração que dominaram o homem durante muitos séculos.

A caverna era sua casa. Dentro dela o homem primitivo se sentia seguro contra a ferocidade dos animais selvagens, contra o mistério dos travões, dos raios, das chuvas. Passou, então, não somente a observar os fenômenos naturais como também a viver em função deles, à sua sombra, temendo-os, respeitando-os, adorando-os, por medo.

Foram surgindo, assim, as primeiras superstições, superstições que atravessaram os séculos nas asas do tempo e que ainda hoje estão entre todos os povos, vestidas das formas e das manifestações mais surpreendentes, fazendo parte do mundo simbólico do homem civilizado, convivendo, lado a lado, com a magia e a religião, fazendo, por sua própria essência, com que todas as coisas vivam em torno do homem, quer sejam montes, pedras, árvores, quer sejam rios, plantas ou animais. E também envolvem o tempo: há horas fechadas e outras abertas, quando se devam ou não fazer determinadas coisas. Há um dia da semana - a sexta-feira -em que não é bom fazer negócio, viajar, casar, comprar, vender, trocar qualquer coisa. Há um dia do mês - o dia 13- também muito impróprio para se fazer quase tudo, superstição muito antiga, tão antiga que Mommsen não encontrou, na história de Roma, um só decreto assinado no dia 13. Tão antiga que Hesíodo (700 anos antes de Cristo) aconselhava a não se plantar nada no dia 13. Mas, superstição tão atual que na Europa e na América do Norte muitos prédios não têm o no. 13, não tem o 13º andar, não têm apartamento no. 13, as poltronas dos cinemas e teatros não têm o no. 13.

Há também, um mês que o mundo todo muito teme e muito respeita por ser azarado, o de agosto.

Os romanos deram ao oitavo mês do ano o nome de agosto, numa homenagem ao Imperador Augusto, quando estavam acontecendo os mais importantes fatos de sua vida, destacando-se, dentre os principais, a conquista do Egito e sua elevação à dignidade de cônsul.

Por que, como e quando agosto começou a ser um mês azarento é que ninguém sabe explicar.

Sabemos que os romanos não gostavam do mês de agosto. Acreditavam na existência de um dragão enorme, horrível, que, cuspindo fogo pelas narinas, passeava no céu durante todo o mês de agosto, dragão este que não passava da constelação de Leão nos céus do hemisfério norte.

As mulheres portuguesas não casavam nunca no mês de agosto, época em que os navios das expedições zarpavam à procura de novas terras. Casar em agosto significava ficar só, sem lua-de-mel e, às vezes, até mesmo viúva. Os colonizadores portugueses trouxeram esta crença para o Brasil já transformada em ditado popular segundo o qual "Casar em agosto traz desgosto' . Assim, se o casamento não for realizado em julho, por qualquer motivo, é bom deixar para casar em setembro, pulando-se o mês de agosto. E por se tratar de um mês azarado - explica Pereira da Costa "é de mau agouro para casamento, mudanças de casa e empreendimentos de qualquer negócio de importância". Na Alemanha, entretanto, as mulheres não acreditam no poder mágico da superstição. Enquanto em muitos países maio é o mês das noivas, lá as moças sonham casar no mês de agosto, preferencialmente num dia de sexta-feira, o que não significa um desafio mas um costume.

Na Argentina, não é aconselhável lavar a cabeça durante todo o mês de agosto. Quem lava a cabeça em agosto está chamando a morte.

As assombrações, as almas do outro mundo que, entre gemidos e arrastar de correntes, balançam as redes dos que dormem após um longo dia de trabalho, costumam aparecer, pedindo missa, querendo rezas, no mês de agosto, que é o mês do frio e da ventania.

A verdade é que a crença popular de que agosto é o mês de desgosto não é somente um ditado popular que rima; é, também, uma superstição internacional de grande aceitação entre nós, principalmente na zona rural do país, destacando-se, de modo muito particular, em todo o Nordeste, onde o processo de colonização foi homiogeneamente português.

Mas, apesar de muita gente não acreditar nos azares próprios do mês de agosto, não custa nada fazer como muitos que não casam em agosto, não se mudam em agosto, não viajam em agosto, não fazem negócios em agosto, que se transforma, assim, num mês de recesso para supersticiosos ou não. É, que as pessoas - acreditando ou não -preferem não brincar com o mágico, com as coisas do sobrenatural.

0 melhor mesmo é como fazem os cariocas que, quando chega o mês de agosto, procuram os frades do convento dos Franciscanos para receber as bênçãos dos frades barbadinhos e espantar o azar. Os religiosos, corri a conhecida paciência franciscana, se revizam de manhã à noite, durante todo o mês de agosto, aspergindo água benta sobre os supersticiosos, homens e mulheres, brancos e pretos, velhos e jovens, ricos e pobres. E quando o dia 13 de agosto cai numa sexta-feira, ai' é que o trabalho dos frades aumenta porque o número de pessoas que procuram se livrar do azar é multiplicado por cem.

A verdade, verdadeira, mesmo, é que durante o mês de agosto muita coisa ruim já aconteceu na face da Terra. Guerras, epidemias, desastres, furacões, invasões, suicídios, revoluções, terremotos e o diabo-a-quatro abalaram o mundo com tanta insistência que muita gente fica apreensiva quando chega o mês de agosto, esperando que algo de mau aconteça.

Fazendo uma rápida retrospectiva através das páginas da história da humanidade, constatamos que, realmente, muita coisa ruim aconteceu ao homem durante o mês de agosto. Seria enfadonho mencionar todas essas coisas más que marcaram os povos com sangue e lágrimas.

No dia 24 de agosto de 1572 Catarina de Medici ordenou o massacre de São Bartolomeu, que ceifou milhares de vidas.

No dia 14 de agosto de 1831 os poloneses foram vencidos pelos russos na chamada revolta de Varsóvia e muita gente morreu sonhando com a liberdade.

No dia 14 de agosto de 1844 a França invadiu Marrocos.

No dia 11 de agosto de 1863 a França dominou o Cambodja,

Na cidade de Nova York, no dia 6 de agosto de 1890, o primeiro homem foi eletrocutado numa cadeira elétrica, como se o governo americano, arvorando-se em defensor de sua sociedade, achasse justo tirar a vida de um homem que tirou a vida de outro, isto é, fazendo a mesma coisa.

Em 24 de agosto de 1910, o Japão invadiu a Coréia, às custas de muito sangue, de muitas lágrimas.

No dia 1º de agosto de 1914 começou a 1ª Grande Guerra Mundial.

A Itália se apoderou, pela força das armas, da ilha de Corfu no dia 27 de agosto de 1923.

Deixando milhares de viúvas espalhadas pelos quatro cantos do mundo, viúvas que ainda hoje choram e depositam flores em seu túmulo, faleceu no dia 23 de agosto de 1926, o artista de cinema Rodolfo Valentino, um mito da sétima arte.

Com a morte de Hinderiburgo ocorrida no dia 2 de agosto de 1932, Hitler assume o governo da Alemanha.

A cidade de Pequim é invadida pelos japoneses no dia 8 de agosto de 1937.

Não satisfeitos com milhões de vítimas causadas pela 1 Grande Guerra Mundial iniciada no dia 1º de agosto de 1914, os homens iniciam a 11 Grande Guerra Mundial em agosto de 1939.

Mais de duzentas mil pessoas morreram nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, quando as cidades de Hiroshima e Nagazaki foram destruídas pela bomba atômica, deixadas cair pelos pilotos Thomas Ferrebre e W. Copoeland.

No dia 13 de agosto de 1961 foi iniciada a construção de um muro, em Berlim, depois mais conhecido como o Muro da Vergonha.

0 Paquistão e a Índia começaram a lutar no dia 25 de agosto de 1965.

0 Exército Vermelho invadiu a Tchecoslováquia no dia 21 de agosto de 1968.

Na Irlanda do Norte, no dia 12 de agosto de 1968, católicos e protestantes começaram a se matar em nome de Deus, que nada tem a ver com isso.

No dia 8 de agosto de 1974 Richard Nixon renunciou à presidência dos Estados Unidos, em conseqüência dos escândalos de Watergate.

E no Brasil, o que aconteceu durante o mês de agosto?

Em agosto de 1943 o navio "Cidade de São Paulo" chocou-se com uma das alas da Escola Naval. Dezoito pessoas morreram, inclusive Dom José da Afonseca e Silva, arcebispo de São Paulo, além de muitos feridos,

Durante o mês de agosto de 1952 caiu um DC-3 em Goiás, matando vinte e quatro pessoas e, em São Paulo, caiu um avião President com um saldo de quarenta e seis mortos e trinta feridos.

Em agosto de 1963 dez pessoas morreram em conseqüência de um choque entre aviões da Força Aérea Brasileira, em Viçosa, Alagoas. Um DC-8, no dia 21 de agosto de 1963, quando tentava vôo com destino à Europa, caiu no Galeão matando doze pessoas. No dia 4 de agosto de 1963 dois aviões de treinamento da FAB se chocaram em Jacarepaguá ocasionando a morte de seis aspirantes da Aeronáutica. Em agosto de 1965, um avião da TAP caiu em Cuiabá, fazendo oito vítimas.

Em agosto de 1965 o navio "Duque de Caxias" pegou fogo em Cabo Frio, quando trinta pessoas perderam a vida.

Em agosto de 1955 cinco pessoas morreram no incêndio da boite Vogue, dentre elas o cantor americano Warren Hayes.

Em agosto de 1958, uma violenta explosão seguida de um pavoroso incêndio, num paiol de pólvora do Exército em Marechal Deodoro, matou dezenas de pessoas, deixando milhares de desabrigados.

Em agosto de 1959, um incêndio que destruiu uma fábrica de tintas, no Rio de Janeiro, fez cinco vítimas, entre as quais três bombeiros.

No dia 6 de agosto de 1957 as estatísticas acusaram um saldo de cem mil desempregados em São Paulo. No mesmo dia falecia o ex-presidente Washington Luís. No dia 13 de agosto do mesmo ano foi decretado estado de calamidade pública no país em conseqüência da epidemia da gripe denominada asiática, sendo transformados em hospitais de emergências escolas, clubes e repartições estaduais e federais.

Em agosto de 1960 morreram 59 alunos da Escola Técnica de Comércio Pedro 11 quando o ônibus em que viajavam precipitou-se num abismo que a todos serviu de sepultura.

Agamenon Magalhães morreu no dia 24 de agosto de 1952, quando exercia o cargo de governador de Pernambuco.

Como resultado de uma crise política que assolou o país, suicidou-se, às 08:30 horas do dia 24 de agosto de 1954, no Rio de Janeiro, o então presidente da República Getúlio Vargas, renunciando, assim, não somente à presidência da República como também à vida.

Forças estranhas fizeram com que o presidente Jânio Quadros renunciasse à presidência da República no dia 25 de agosto de 1961.

Pela lei no. 4380, de 21 de agosto de 1964, o presidente Castelo Branco criou o Sistema Financeiro da Habitação, tendo o Banco Nacional da Habitação - BNH como seu órgão central e que hoje é a maior dor-de-cabeça da classe média brasileira.

Vítima de um desastre automobilístico, Juscelino Kubitscheck - que tornou realidade um sonho desde os tempos do Império, de centralizar a capital da República - faleceu no dia 22 de agosto de 1976.

E, no Brasil e no Mundo, o que já aconteceu neste mês de agosto que estamos vivendo?

0 ministro Golbery do Couto renunciou.

0 primeiro ministro português Balsamão, renunciou.

0 escritor paraibano Ariano Suassuna, glória desta nação, teatrólogo representado em muitos países do mundo e romancista traduzido em diversas línguas, enfim, o escritor que sempre foi um expoente e soube honrar a cultura nacional, em artigo publicado na edição do Diario de Pernambuco do dia 9 sob o título Despedida, renunciou as atividades literárias. Não vai querer saber mais de livros, peças de teatro, conferências, entrevistas, artigos: "Estou até tentando - disse ele - conseguir um local que nem minha família saiba onde é, um lugar onde eu possa me defender, assim, contra cartas,' livros, telefones, revistas e televisões. A decisão está me custando muito, de modo que tenho o direito de pedir que ela seja respeitada. Com a exceção da Universidade, o que eu tinha de dizer, escrever ou fazer em público, já fiz. Basta de tanta grandeza. 0 resto é segredo, um segredo entre mim e Deus".

No dia 22 um Boeing737 explodiu em Formosa, matando cento e dez passageiros.

No mesmo dia faleceu Glauber Rocha, um gênio que abriu novos caminhos para o cinema mundial e que projetou lá fora, no estrangeiro, o nome deste país.

24 de agosto é o dia das sogras.

24 de agosto é o dia em que o Diabo anda solto, fazendo as suas.

24 de agosto é o dia de todos os Exus nos candomblés brasileiros.

Você acredita nessas coisas? Ou você não acredita?

Alguém pode de indicador em riste, apontando para mim e também perguntar: - E você, acredita ou não acredita? Eu então respondo como um espanhol, cujo nome já fiz tudo para me lembrar, mas não consegui:

- Yo no creo en brujarias. Pero que Ias hay, Ias hay. .


FONTE: http://www.soutomaior.eti.br/mario/paginas/cur_agos.htm

Su: Será?

domingo, junho 19, 2011

Antenor tornou-se Alarmante!

O Homem da Cabeça de Papelão


Gênio!


Vídeo: O Homem da Cabeça de Papelão - Oscar Wilde

http://www.youtube.com/watch?v=qQCJ6E_1EIw&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=AwG3yiVSLYM&feature=related

segunda-feira, junho 06, 2011

Abuso, amor, abuso!

Margaux Fragoso sobre a pedofilia: “Não trate a criança como se ela estivesse arruinada”
04/06/2011 | 08:00 | Letícia Sorg | Atualidades, Cultura | ABUSO SEXUAL, literatura, Margaux Fragoso, pedofilia


Tigre, Tigre, da americana Margaux Fragoso (foto), não é uma leitura fácil. Segundo a revista New York, o livro tem a “cena mais indecente” publicada nos últimos dez anos. No trecho, a autora descreve seu primeiro contato com o órgão genital masculino: “O conjunto parecia um cachorro-quente sem pão com dois balões meio murchos”. A indecência: Margaux tinha então 8 anos e estava diante de um homem de 52. Era aniversário de Peter Curran [nome fictício] e ele havia pedido um presente: um “carinho especial”.

Foi o primeiro contato sexual de Margaux com o homem que abusaria dela nos próximos dez anos. Os anos de abuso, vergonha e confusão compõem o enredo de Tigre, Tigre (Rocco), recém-lançado no Brasil. Mas a narrativa não é o retrato estereotipado de uma vítima e seu algoz. Margaux, hoje com 32 anos, também expõe seus sentimentos pelo agressor e sua sensação de profundo desamparo. Seu pai, muito rígido e tradicional, não impediu o contato com o pedófilo. Sua mãe, uma paciente psiquiátrica, não foi capaz de detectar o risco que a menina corria.

Com o livro, Margaux tenta entender como e quando se percebeu como vítima e por que, mesmo cercada de adultos, nenhum a protegeu. Nesta entrevista, concedida por e-mail a ÉPOCA, Margaux Fragoso fala do trauma do abuso e sugere como os pais devem lidar com a pedofilia.

Você sofreu abuso dos 7 aos 17 anos de idade e teve uma relação próxima com o agressor até o dia em que ele cometeu suicídio, quando você tinha 22 anos. Tigre, Tigre está sendo lançado quase dez anos depois da morte dele. Por que decidiu contar sua história?
Margaux Fragoso – O violento suicídio de Peter foi um catalisador. Para mim, escrever é o oposto de morrer, porque é se comunicar, é afirmar a vida. Todo dia depois de sua morte escrevi trechos de meu livro. E eu lia muito também. Escrever e ler me mantinham em contato com a minha identidade depois que meu senso sobre mim mesma havia sido tão maltratado.

No fim da vida, Peter sugeriu que você escrevesse sobre a relação que viveram. Como encarou esse pedido?
Não da maneira como ele queria. Ele sempre tentou controlar o que eu escrevia, insistindo que eu escrevesse apenas sobre os momentos felizes. O livro desafia o desejo dele. Se fosse possível conversar com quem já deixou este mundo, eu pediria a Peter para ler Tigre, Tigre. Na margem do exemplar dele, eu escreveria uma frase de James Baldwin: “Quando um livro é publicado, pode machucá-lo – mas antes que ele o machuque, eu tive que me machucar primeiro. Só posso dizer sobre você o tanto que consigo dizer sobre mim mesmo”.

O que você quer que as pessoas sintam ao terminar de ler Tigre, Tigre? O que sentiu ao terminar de escrevê-lo?
Quero que as pessoas sintam o que tiverem que sentir, não o que quero que sintam. Todos os escritores deveriam lutar para dar aos seus leitores a chance de chegar às suas próprias conclusões. É um sentimento profundo terminar de escrever um livro e fazê-lo de uma forma que você considera correta, que o agrada. Imagino que o final é capaz de despertar assombrações para algumas pessoas. No final, fico pensando na miríade de imagens da infância. E todo mundo, até certo ponto, lamenta a perda da infância. É uma perda tão profunda que guarda dentro de si uma beleza, e senti essa beleza de uma maneira muito sutil enquanto eu escrevia. Eu podia ver todas as imagens em minha cabeça – o riso no bosque, o descanso nas colinas. Peter está preso naquelas colinas; ele nunca cresceu, e essa era a tragédia pessoal que ele transmitia aos outros.

Em várias passagens, você conta que se considerava impura, uma espécie de prostituta juvenil. Quando se deu conta de que era a vítima de um crime – e não a culpada?
Tenho consciência agora de que não foi minha culpa e, por isso, não tenho mais vergonha. Mas às vezes me sinto levemente envergonhada ao ler resenhas sobre meu livro que soam como transcrições de um processo judicial. Uma das críticas colocava a minha foto debaixo de letras garrafais: “Exposição indecente”. O uso do jargão legal me fez sentir como uma criminosa. Agora sei por que as crianças raramente denunciam seus agressores. Porque há uma mensagem subliminar na sociedade de que o mensageiro, por assim dizer, será morto. Você será visto como um bem danificado ou, então, ser julgado culpado de alguma maneira. Então, por que não manter o segredo em vez de enfrentar o desprezo?

Como os pais devem tratar seus filhos em caso de abuso?
É importante que os pais tratem uma criança que foi abusada exatamente da mesma maneira que antes. Não trate a criança como se ela estivesse arruinada. Escutei pais, incluindo o meu próprio, dizer coisas como “prefiro que minha filha morra num acidente de trânsito a que seja molestada. Essa é a pior coisa que pode acontecer.” Minha resposta para isso é: o abuso sexual tem tratamento. Não é terminal. Pelo amor de Deus, todos precisamos parar de ser histéricos para que a criança possa de fato se recuperar. Muitos pais agem como se nunca fossem conseguir lidar com a situação se soubessem que seus filhos foram molestados. Por favor, lidem com isso, vocês são adultos. Se vocês conseguirem lidar, seus filhos conseguirão. Não passe a sua vergonha para o seu filho.

O seu livro explora também a sexualidade vivida da perspectiva da criança – você descreve o que teria sido seu primeiro orgasmo, aos 7 anos. Você acredita que deixar de falar sobre sexo com as crianças abre espaço para pedófilos?
Pelo que li, as crianças têm uma sexualidade voltada para si próprias, e é isso que descrevi naquela cena. Os estudos sobre a sexualidade na infância mostram que as crianças não pensam em outras crianças ou adultos quando têm prazer – elas não têm ideia do conceito de “sexo”. Acho importante dizer para as crianças que o corpo pertence a elas e que não precisam se sentir envergonhadas de se auto-estimular – desde que isso aconteça em momentos privados. Os agressores tentam controlar a sexualidade da criança e interferem em seu desenvolvimento natural. Eles transformam aquilo que é normal e inocente em algo vergonhoso. É importante que as crianças saibam a verdade sobre o sexo quando perguntam sobre o assunto. É preciso dizer que pertence a elas mesmas durante a infância e que, quando adultos, é dividida com outra pessoa. Procure reduzir o sentimento de vergonha ao falar do assunto com seus filhos para que eles possam se sentir livres para conversar sobre a sexualidade se precisarem, se tiverem alguma curiosidade ou se, mais grave, estiverem sofrendo algum abuso. As crianças não vão falar sobre abuso se sentirem que seus pais ficam extremamente desconfortáveis ao falar de sexo.

Tigre, Tigre também discute a questão da autoestima – quando criança, você costumava medir seu valor pela atenção que recebia dos outros e, por isso, sempre tentava agradar as pessoas. Melhorar a autoestima das crianças pode reduzir sua vulnerabilidade a pedófilos?
Quando os pais dão aos filhos esse sentido de valor próprio, eles não sentem que precisam consegui-lo de seus agressores. Alguns filmes para as garotas, como A Bela e a Fera, dão a elas a impressão de que o amor vence tudo e que os agressores vão mudar, em algum momento. No filme, a besta é domesticada e se torna um príncipe. Na realidade, a besta é, geralmente, incorrigível – é preciso correr dela, não tentar mudá-la. As meninas precisam ser ensinadas desde cedo a não aceitar abuso de nenhuma forma e a não tentar “consertar” o menino mau. Ao sair do mundo com Peter, tive que aprender a estabelecer limite para as pessoas, especialmente homens. Havia sido programada para agradá-los, a colocar seus desejos em primeiro lugar. Entrar no mundo do sexo tão cedo faz a pessoa sentir como se não tivesse vontade própria – como se fosse um objeto que pertence a alguém. Parei de ter relações sexuais com Peter aos 17 anos mas carreguei esse trauma profundo comigo muitos anos depois. Ser sexualizada na infância faz a pessoa sentir que a sexualidade não é dela. Algumas mulheres podem não se sentir no direito de negar exigências dos homens no sexo; outras acham que não podem ter sexualidade alguma. Um preço muito grande, que às vezes dura a vida inteira, é pago para que o pedófilo tenha seus momentos de gratificação. Hoje tenho um bom marido, porque fiz a escolha consciente de não perseguir os “maus garotos”.

Além de descrever sua relação com Peter Curran, a senhora também descreve sua relação com seus pais. Naquela época, você os culpava pelo que estava acontecendo?
Culpei meu pai na época por ser tão crítico e negativo que me fez sentir como se tivesse que sair de casa. Eu não suportava ficar em casa. Ele dizia que eu havia gerado a doença mental de minha mãe e acreditei nele. Acreditei que nunca deveria ter nascido. Minha autoestima era nula. Agora sei que ele mesmo tinha baixa autoestima. Mas como eu ia saber disso lá atrás? Precisei escrever sobre ele para entender quão inseguro ele era, e como ele passou isso para mim inconscientemente.

Mais tarde, tive que lidar com uma raiva reprimida contra minha mãe. A ligação entre a mãe e seu filho é muito primária. Depois de um tempo é preciso deixar de lado a busca por falhas, ou vamos ficar constantemente procurando a quem culpar, e isso acaba se tornando inútil. Um amigo me ensinou a pensar: “Quando as pessoas não estão em um estado mental são, não é possível esperar que elas ajam como pessoas saudáveis.”

A cultura latina tradicional de seu pai e de grande parte da população brasileira dá uma grande importância grande para a virgindade e a honra. Essa cultura dificulta lidar com a questão da pedofilia?
Sim, é pior quando se pensa que a honra é baseada na virgindade. Não é nada mais do que uma forma de controle patriarcal. Mas quando se vem de um contexto cultural como esse, como muitas garotas latinas, toma-se o código de honra como verdade divina. Tive que aprender que o verdadeiro código de honra é seguir uma ética que promove a harmonia social e a saúde, e não tem nada a ver com a “pureza” sexual.

No passado, para manter minha honra, tive que manter silêncio sobre o que aconteceu, enquanto me sentia suja. Agora construí uma vida digna fazendo exatamente o oposto do que o meu pai acharia honroso.

Você descobriu que o próprio Peter havia sido abusado na infância – um traço comum a muitos pedófilos. Descobriu que sua mãe também fora uma vítima na infância – característica comum em algumas famílias de vítimas. Por que isso acontece?
O trauma pode ser passado de geração em geração. Minha tia e minha mãe sofreram abuso sexual e minha mãe não lidou com aquilo. Por isso, ela não foi capaz de entender o que Peter estava fazendo e impedi-lo. Segundo as estatísticas, mulheres que foram abusadas sexualmente têm mais chance de ter filhos vítimas de abuso. Porque é tão doloroso acreditar que o ciclo traumático está se repetindo que as mães podem se recusar a ver o que está acontecendo. Se o mesmo acontecer com minha filha, não temerei enfrentar o problema. Protegi a minha mãe de saber da realidade do abuso por todos aqueles anos. Não quero que a minha filha me proteja mantendo segredos.

Até que ponto a seu relato coincide com o de outras vítimas da pedofilia?
Acredito que é comum as crianças terem relações próximas com seus agressores. Os pedófilos podem entrar na vida da criança e satisfazer a necessidade delas por afeto quando a família falha. As relações de longo prazo são provavelmente mais comuns do que se imagina. É raro que as pessoas falem sobre isso em público porque, se o fazem, veem seus sentimentos privados atacados. Como, então, as pessoas podem saber da existência desses laços secretos se ninguém nunca fala sobre eles?

É importante perceber que a minha memória não é uma forma de propaganda; nós, escritores, não estamos tentando propor uma forma definitiva de pensar esses assuntos. Admitir que em algum momento alguém ama uma pessoa como Peter não quer dizer que o desculpa por seus crimes; é apenas um sentimento subjetivo que existe e, por isso, tem o direito de se tornar um assunto. Não o amo mais e talvez a razão pela qual fui capaz de frear esse sentimento foi o reconhecimento, antes de qualquer coisa, de tê-lo sentido.

Minhas palavras têm sido distorcidas em várias mídias, que as tiraram de contexto, como a declaração de meu jovem “eu” de que sentia como se a relação com Peter fosse uma forma de dependência de heroína. Uma das manchetes dizia algo como “Garota imatura compara relação pedófila com prazer das drogas”, como se eu estivesse dizendo algo positivo. Para mim, ser viciado em heroína não é uma situação desejável, mas é possível entender por que alguém tenta escapar do mundo usando drogas. As drogas cultivam uma falsa realidade, assim como os pedófilos. No fim, as drogas destroem sua vida, assim como esse tipo de “amor”.

Toda vez que se tenta dizer algo novo, é preciso encarar a resistência dos mitos culturais. Como Boris Cyrulnik, um especialista no estudo dos traumas, diz, “nós [como uma cultura] desconfiamos da mentira e tentamos reprimi-la, mas amamos os mitos e não queremos nada além de nos rendermos a eles.” O mito é de que uma criança nunca poderia nutrir sentimentos de amor e afeição por seu agressor; é esse mito que quero destruir. Porque, se a sociedade admitir toda essa complexidade, vai precisar refazer tudo dentro de um novo modelo, e trabalhar em busca de novas soluções. É mais fácil classificar essas situações em duas categorias bem distintas: pobre menina abusada e grande monstro mau. Mas esse tipo de pensamento nos ajudou a saber mais sobre esse tipo de relação, nos ajudou a preveni-lo?

Você leu livros de psiquiatria e psicologia para escrever o livro?
O psicólogo social Philip Zimbardo me ajudou a colocar várias coisas sob perspectiva. Ele discute o que chama de “teoria situacional”, que defende que as situações têm um grande poder sobre a identidade. Comecei a entender pela minha pesquisa – que foi feita depois de eu escrever minhas memórias e, na verdade, faz parte da preparação para o romance em que estou trabalhando agora – que meu estado mental durante os anos com Peter era bem similar ao dos membros de uma seita sob o controle de um líder carismático. Peter literalmente criou minha realidade a partir das cartas dele, do que dizia, e eu não tinha contato com o mundo externo. Eu pensava dentro dos limites restritos que ele construía e por todos aqueles anos fui incapaz de ver a situação do lado de fora. Foi interessante o caso de Jaycee Dugard [americana sequestrada aos 11 anos que passou 18 com o criminoso e teve dois filhos dele] ter reaparecido bem no momento em que uma editora aceitou publicar meu livro. Jaycee aprendeu a amar seu agressor e não tentou escapar. Muitas pessoas não tentam entender a posição dela ou ficam indignadas com o fato de ela ter admitido amá-lo. É muito difícil para as pessoas entender a Síndrome de Estocolmo sem passar por ela. Todo mundo quer acreditar que os seres humanos não são vulneráveis ao controle mental; quer acreditar no mito do “indivíduo incondicional”. Como o experimento de Zimbardo na prisão de Stanford mostra, é possível pegar um grupo de alunos de faculdade normais e saudáveis, dar a eles o poder absoluto de guarda e tornar os prisioneiros indefesos. Seis dias depois, ele teve que parar com a experiência por causa do flagrante abuso por parte daqueles que tinham poder e do colapso psicológico dos subordinados. Em Tigre, Tigre, a realidade entra em colapso, e entro em colapso com ela. Não há terra firme em que apoiar meus pés.

Você já participou de grupos de apoio para vítimas de pedofilia? O seu livro pode ser usado para ajudar pessoas que passaram pelo mesmo trauma?
Falei recentemente com o Centro de Prevenção do Abuso Infantil de Baltimore e foi uma experiência muito positiva para mim. Lembro-me de ter visto uma discussão em grupo sobre meu livro em que o escritor revelava no fim: “para ela foram 14 anos, para mim, 12”. Não estou contando a experiência de ninguém além de mim, ainda assim, sei que muitas pessoas têm muito em comum comigo. Mesmo que eles respondam de forma negativa inicialmente, quem sabe o livro possa abrir um diálogo dentro deles mesmos. Publiquei o livro para que as pessoas vissem, e fico em paz de saber que levarão dele o que precisam. Sinto como se houvesse espaço para que os leitores se conectem de várias maneiras, não uma só. Por exemplo, pessoas que não sofreram abuso podem ter sido vítimas de bullying, como eu fui. Ou terem tido um pai cruel, ainda que carismático. Ou podem ter gostado de Kurt Cobain. Ou ter criado pombos. Ou talvez eles tenham tirado sarro de alguma garota estranha ao ponto de aniquilar toda sua autoestima. Talvez eles possam pensar um pouco sobre isso e ensinar outras crianças a não praticar bullying com outras. Porque esse comportamento é danoso e alguns dos danos são permanentes.

Ou, talvez, alguém com as mesmas tendências de Peter que esteja pensando em cometer abuso e leia como me senti envergonhada e como Peter foi preso e acabou destruindo a si mesmo. Ele pode não ter agido ainda e decidir resistir à tentação.

Você diria que superou completamente o trauma do abuso?
Não, é impossível superar o abuso como se ele nunca tivesse acontecido. Há sempre uma parte ferida que pode doer conforme a situação. Mas tento não deixar meu passado me definir. Normalmente, não me vejo como uma pessoa que sofreu abuso. Quando estou numa situação em que dizer que sobrevivi à pedofilia serve a um bom propósito, então uso essa identidade temporariamente. Mas, fora desse contexto, não.

De qualquer forma, se aconteceu, você não pode negar. Precisa aceitar. Precisa ver o que aconteceu – olhar nos olhos do monstro e encará-lo como ele é. Se você correr, ele o segue. Se o encarar, ele enfraquece. O caos é o vazio e a tragédia é a ausência de significado. As palavras e as histórias são nossas defesas contra os dois.

Você diz que o segredo é o que torna possível a pedofilia. Como os pais podem ajudar as crianças a quebrar esse mundo de sigilo?
Deixando nossos filhos à vontade para nos contar qualquer coisa. Nós, pais, precisamos enfrentar as coisas que mais nos perturbam, porque aí mostramos aos nossos filhos que eles podem nos dizer tudo. Em geral, crianças que sofrem abuso – e falei com outras vítimas – sentem que precisam proteger os adultos de saber, porque eles não conseguirão lidar com a informação. Com isso, o fardo é colocado nos ombros de crianças muito novas, que são capazes de sentir nosso desconforto e perturbação e tentam nos blindar. Devemos aos nossos filhos ser fortes e enfrentar o que achamos que não podemos.

Os políticos deveriam apoiar a ideia de que o tratamento para os pedófilos é a melhor maneira de prevenir o crime. É preciso criar linhas anônimas em que pedófilos que estão pensando em cometer o crime possam ligar e ser dissuadidos de fazê-lo. Fred Berlin criou uma linha assim no Canadá e nos Estados Unidos, mas quando se tornou lei que quem ligava deveria ser denunciado para as autoriedades, os telefones pararam de tocar. Todos aqueles pedófilos que poderiam ter sido dissuadidos de cometer abuso sexual voltaram às sombras, cultivando relações com crianças em segredo.

Você nasceu em 1979. Acredita que as crianças nascidas nos últimos dez anos estão mais protegidas do abuso?
Não sei. O que sinto é: quanto mais o diálogo sobre o assunto está aberto, mais difícil é para os pedófilos esconder sua verdadeira intenção. Os pais vão saber que é difícil achar homens mais velhos que apenas querem ficar próximo de garotas novas, como em Annie ou Punky Brewster, dois dos programas preferidos do Peter. Os bondosos homens dessas histórias adotam as jovens garotas simplesmente porque queriam dar a elas uma vida melhor. Esse tipo de altruísmo não é impossível, mas a minha história é bem mais provável. É engraçado como minhas memórias são vistas como improváveis, mas quando você pensa por um momento, percebe que as histórias boas demais para ser verdade são ainda mais raras.

Qual a melhor forma de proteger as crianças dos pedófilos?
Na prática, tratando a pedofilia como um caso particular. Fred Berlin, um especialista americano no assunto, tem defendido o tratamento há muito tempo e diz que a pedofilia precisa ser tratada como o alcoolismo e a bulimia. Drogas para inibir a testosterona, antidepressivos e terapia de grupo são algumas opções. Os antidepressivos funcionaram com Peter. Nós não tínhamos mais relações sexuais desde os 17 anos. Mas, para que a mudança ocorra, os governos precisam investir no desenvolvimento de centros de tratamento e as pessoas têm que deixar o ódio de lado para permitir que esses centros existam. É um problema que precisa ser tratado pela raiz.

Quando mostramos compaixão, mesmo quando ela é o sentimento mais difícil, temos uma chance de atingir as defesas e as racionalizações dos pedófilos. A compaixão desarma a defesa, enquanto a culpa e o julgamento não conseguem entrar na mente daqueles que se recusam a admitir. Há tanta ênfase em tratar as vítimas depois do abuso; por que não tratar os agressores e prevenir o problema? Uma estratégia que funcionou nos Estados Unidos é incentivar a vigilância dentro do grupo. Descobri que tem uma organização chamada Cosa que, embora não seja voltada para pedófilos, atinge pessoas afetadas por todo tipo de compulsão sexual. Nosso ódio veemente não deve forçar essas instituições a fechar as portas – impedindo, assim, que os pedófilos consigam ajuda. Isso perpetua o ciclo de abuso.

O assunto não vai sumir do nada, não importa o quanto queiramos. Olhar para o problema com moralismo é ferir a população que queremos proteger, ou seja, nossas crianças.

Seu pai dizia que gostaria que a senhora fosse tão forte e firme quanto ele acreditava ser. A senhora acha que o livro confirma que tem essas duas qualidades?
Há sempre uma força muito grande ao confrontar as verdades mais ásperas sobre si mesmo e aqueles próximos de você. Mas ser forte é se permitir, antes de tudo, ser fraco. O que quero dizer é que não é preciso ser desnecessariamente rude, bradar uma coragem vazia. O verdadeiro poder vem de admitir e aceitar nossa humanidade como ela é – em sua fragilidade e imperfeição.

Letícia Sorg é repórter especial de ÉPOCA em São Paulo.
Fonte: http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2011/06/04/margaux-fragoso-sobre-a-pedofilia-nao-trate-a-crianca-como-se-ela-estivesse-arruinada/

segunda-feira, maio 30, 2011

O que diria Jesus Cristo segundo José Saramago?


O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em sil~encio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.

Do livro: O Evangelho segundo Jesus Cristo de José Saramago

segunda-feira, abril 18, 2011

Dizem: não quero ter vergonha da minha vida

VÍDEO:
http://www.youtube.com/watch?v=NMn_1rQ3sms&feature=player_embedded


As necessiades materiais na verdade são mt pequenas ...
É mt fácil... abrir mão da sua consciência e ficar a mercê d matar alguém. Não é isso q eu quero. ... Não sei o q eu vou fazer, mas sei o q eu não vou! ...
Não quero ter vergonha da minha vida. ...
Tem sensibilidade e não olha pro mundo em volta? ...
Democracídio. ...
Vencedor q nada. Não to aqui pra competir. ...
Rico depende d pobre p tudo! ...
Marx ótimo... marxistas péssimos! ...
Benefício material não vale preju moral. ...
Privilégio come direito. ...
Refinados = egocêntricos.

segunda-feira, março 28, 2011

Planta colhe, de Arnaldo Antunes


o arroz
que se planta se colhe
o amor
que se planta se colhe
o que vai
volta um dia mais forte
o que fica
escondido explode


o feijão
que se planta se colhe
solidão
que se planta se colhe
se fugir
a estrada te escolhe
e o destino
também não dá mole

ao redor
pra onde quer que se olhe
a saída
é uma porta que encolhe
aflição
que se planta se colhe
algodão
que se planta se colhe

se cair
nessa chuva se molhe
sempre há sede
pra dar mais um gole
toda culpa
se planta e se colhe
na garupa
do tempo que corre

cada grão
que se planta se colhe
furacão
que se planta se colhe
cada um
inaugura sua prole
pedra dura
procura água mole


tudo vem
quando o tempo é propício
todos têm
sua porção precipício
o que sabe
não busca sentido
o que sobe
retorna caído


ilusão
que se planta se colhe
confusão
que se planta se colhe
num segundo
o desejo te engole
só não corre
esse risco quem morre

domingo, março 20, 2011

Chaplin para ditador: dá vontade d viver mais! :0)

Discurso de Charlie Chaplin em "O grande ditador" legendado em português

Dá vontade d viver mais!
(Dizem q Hitler viu esse filme pelo menos duas vezes e achava Chaplin criativo e ousado. Chaplin teria dito q não o teria feito se soubesse q Hitler não era só um palhaço arrogante com delírio d grandeza, mas sim alguém realmente a ser temido.)
Claro q o filme sofreu pressão pra não ser feito.


"...
Às vezes é tormenta
Fosse uma navegação
Pode ser que o barco vire
Também pode ser que não
Já dei meia volta ao mundo
Levitando de tesão
Tanto gozo e sussuro
Já impressos no colchão


(Casa - Lulu Santos)

Letra: http://letras.terra.com.br/lulu-santos/101/

Escravo do carnaval: amor na fantasia

Escravo da Alegria
Toquinho
Composição: Mutinho


E eu que andava nessa escuridão
De repente foi me acontecer
Me roubou o sono e a solidão
Me mostrou o que eu temia ver
Sem pedir licença, nem perdão
Veio louca pra me enlouquecer

Vou dormir querendo despertar
Pra depois, de novo, conviver
Com essa luz que veio me habitar
Com esse fogo que me faz arder
Me dá medo e vem me encorajar
Fatalmente, me fará sofrer

Ando escravo da alegria
Hoje em dia, minha gente
Isso não é normal
Se o amor é fantasia
Eu me encontro, ultimamente
Em pleno carnaval

Fogo: por dentro e por fora...

"Por que o fogo é assim?
Tão calmo e pacífico por fora, mas tão poderoso e destruidor por dentro.
Ele esconde algo.
Igual às pessoas fazem.
Às vezes, é preciso chegar perto para descobrir o que há dentro. Às vezes, é preciso se queimar para ver a verdade."


Tekkonkinkreet

Where is my mind, Waking Life?

Com maravilhosas cenas de Waking Life

Música para ouvir:

"With your feet on the air and your head on the ground,
Try this trick and spin it, yeah
...
Where is my mind?"

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Sqp2kd160gk&feature=player_embedded

Música pra cigana q há em mim!

De Clarissa beibe:


"Mas Deus protege
Quem vive sem casa
Pro bem dos homens
Fez a cobra sem asa
Sem teto hoje
...Amanhã no Sheraton
EU ENTRO EM TODAS
SEM SAIR DO TOM
Chiquita Bacana
Aurora em Copacabana
Largado no mundo
Eu vivo largado no mundo"

Hehe, essa é a parte que reeealmente me lembra você, Cigana! ;)


Letra: http://letras.terra.com.br/cazuza/1202755/

Imagina...

Imagina
Imagina
Hoje à noite
A gente se peder
Imagina
...Imagina
Hoje à noite
A lua se apagar
...
Abre a porta pra noite passar
E olha o sol
...
Serpentinas
Serpentinas pelo céu
Sete fitas
Coloridas
Sete vias
Sete vidas
Avenidas
Pra qualquer lugar
Imagina
Imagina"


[Imagina - Chico Buarque - Composição: Tom Jobim e Chico Buarque (1983)]

Letra: http://letras.terra.com.br/chico-buarque/85976/

Sacadas do facebook!

Momentos facebook (eu tenho q admitir!! hehehe):


"Quem não é bom o bastante fica muito melhor sozinho! hehehehehe

"Eu não deveria por vários motivos, né mas...

"... é q eu fui criada achando q se eu seguisse os mandamentos seria a melhor pessoa do mundo. Depois q eu descobri q eu não era boa, nada mais me surpreende!hehehehe Me surpreende alguém gostar d mim! hehehe (o q talvez seja só um resquício da educação)

"Digo "vc não precisar ser má nem pra ser cruel!"(como sempre o Chicó mudando a minha vida no msn! hehehehe)


"E se tudo mudasse vc continuaria o mesmo?


"E se só vc mudasse.... o resto continuaria o mesmo?


"Mundo, por favor, pára d me chamar d mandona! hahahaha


"Morro de curiosidade mas não quero saber.


"Ah vai! Eu tb sou criança! hehehehe Estou crescendo com isso!


"Espero ansiosamente pelos 18! hahahahaha


"Um dia lindo! Boa felicidade (pois não ignoro as ruins)! Hoje é bom pra sempre!


"Os neuróticos sofrem de reminiscências" (Freud, S.) - Beck fez questão de lembrar. hehehe


"One person´s crazyness is another person´s reality" - Tim Burton


"Hoje é o último dia em que vou me preocupar com essas coisas! (aprendi com isso e bebendo um pouco! hehehe)


"Vc está indo com a brincadeira e eu estou voltando com a verdade! (paródia de provérbio popular! hehehe)

Patada CRIAAda, José!

Como se criaa uma patada?

Só melhora: a patada veio d cargo mais alto agora, "José"! Saber ser profissional é pra quem sabe trabalhar... e não para qualquer um q trabalha.

O problema é achar q será como na faculdade!
Q vc poderá introduzir desvios sem q achem q estás querendo implodir o projeto e t calarem.
Q haverá uma produção coletiva por e-mail qndo na verdade há o voto do silêncio e um "amigo" t diz q estás querendo aparecer!
Q, como escrito no projeto, "os profissionais d saúde precisam d treinamento": menos o monitor experiente desde o primeiro dia, né? Rs

"Mas vc não morre"



Uma poesia muito a ver com o grande momento:

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?

E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou
;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse
Mas você não morre,
você é duro, José
!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?


Carlos Drummond de Andrade.

domingo, fevereiro 27, 2011

VOTE: Orquestra de Cordas da Grota! Vários trabalhos em favelas e outros

Em 2010, ainda, a Orquestra de Cordas da Grota foi reconhecida pela Câmara dos Vereadores, Lei nº2763/2010, como Patrimônio Imaterial da Cidade de Niterói.

Por tudo isso é que viemos pedir o seu voto NO 2º Prêmio da Cultura do Estado do Rio de Janeiro para a categoria PATRIMÔNIO IMATERIAL O prazo é até o dia 28 de FEVEREIRO e o acesso ao site para votar é http://www.cultura.rj.gov.br/materias/festa-da-cultura.

Gratos pela atenção e pelo seu voto (é preciso justificar o voto, se quiser use uma das sugeridas ABAIXO)

Utilize algumas das Dicas abaixo para justificar o voto.

A Orquestra de Corda da Grota foi reconhecida pela Câmara dos Vereadores como Patrimônio Imaterial da Cidade de Niterói (Lei nº 2763/2010), no ano em que completou 15 anos de sua formação. Durante esse tempo apresentou-se em concertos na Cidade, em muitos municípios do Estado do Rio, S.Paulo, Minas e em Brasília. E no exterior: Portugal, EUA e países da América Central (Panamá, Nicarágua, Costa Rica, El Salvador e Belize).

Indico a Orquestra de Cordas da Grota para o Prêmio da Cultura, categoria Patrimônio Imaterial, para que o reconhecimento que ela teve em 2010 pela Câmara de Vereadores de Niterói, Lei nº 2763/2010, como Patrimônio Imaterial de Cidade seja ratificado no nível estadual pelo seu trabalho, mobilizando talentos, desenvolvendo habilidades artísticas, ampliando o universo de referências culturais e oferecendo novas oportunidades de trabalho aos jovens das comunidades .­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­

A Orquestra de Cordas da Grota foi reconhecida como Patrimônio Imaterial da Cidade de Niterói, através da Lei nº 2763/2010, da Câmara de Vereadores de Niterói, pelo trabalho que vem realizando nos seus 15 anos de existência de acordo com sua missão: mobilizar talentos, desenvolver habilidades e ampliar o universo de referências culturais para gerar oportunidades que permitam realizações pessoais e o exercício pleno da cidadania.

Faço a indicação da Orquestra de Cordas da Grota porque no ano em que completava 15 anos de existência teve o reconhecimento da Câmara de Vereadores de Niterói como Patrimônio Imaterial da Cidade, Lei nº 2763/2010, sem que isso significasse qualquer ajuda financeira. Ganhar o Prêmio da Cultura significa ter esse reconhecimento ampliado e a obtenção de recursos necessários para alavancar o projeto.

Minha indicação se justifica por conhecer a importância da Orquestra de Cordas da Grota na comunidade da Grota, há mais de 15 anos, e que agora tem o reconhecimento da Câmara de Vereadores de Niterói , Lei nº 2763/2010, como Patrimônio Imaterial da Cidade. São lideranças jovens que se destacam na multiplicação dessa experiência dentro e fora da comunidade, como protagonistas da transformação social, executando e ensinando música erudita.

Pela importância da Orquestra de Cordas da Grota na comunidade há mais de 15 anos, que tem agora o reconhecimento da Câmara dos Vereadores de Niterói, Lei nº 2763/2010, como Patrimônio Imaterial da Cidade, e da SEC-RJ/MinC como Ponto de Cultura

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VAMOS NOS UNIR PARA APLAUDIR DE PÉ A INICIATIVA DOS MÚSICOS MÁRCIO SELLES E LENORA, QUE COM EXTREMA DEDICAÇÃO, EMPRESTARAM SEU DOM DA MÚSICA E SUA COMPETÊNCIA PROFISSIONAL À COMUNIDADE DA GROTA E OUTRAS ADJACENTES COMO BADU, ITITIOCA, JURUJUBA, MORRO DE CAVALÃO,MORRO DO ESTADO, ALÉM DE ITABORAÍ E MARICÁ, LEVANDO VIOLINOS, FLAUTAS, PAZ E DIGNIDADE AOS MORADORES DE LÁ. ENCONTRARAM ADOLESCENTES TALENTOSOS E COMPROMETIDOS COM O SEU DESENVOLVIMENTO PESSOAL E CAPAZES TAMBÉM DE SE COMPROMETER COM UM GRUPO DE TRABALHO AO QUAL PASSARAM A PERTENCER.
MOTIVO DE ORGULHO PARA NITERÓI, ESSA INICIATIVA É, SEM DÚVIDA, UM EXEMPLO ANIMADOR PARA TODOS NÓS, ASSIM COMO RAZÃO PARA ACREDITARMOS QUE HÁ CAMINHOS ALTERNATIVOS AO DA DROGADIÇÃO E AO DA VIOLÊNCIA.
VIVA A ARTE!

VIVA A VIDA!
POR FAVOR, ENCAMINHEM AOS SEUS AMIGOS. VOTEM E DIVULGUEM!

sábado, fevereiro 26, 2011

Amália , ficamos pregadinhas ao chão, com asas de papelão...

Carta a Vitorino Nemésio

Talvez que o anjo esquecido,
O anjo da poesia,
Se tenha de mim perdido
Sem reparar que o fazia...
Por isso me faltam asas
E me sobejam as penas
De um desejo inalcançado:
Que eu gostava de voar
Até ao anjo perdido
O anjo de mim esquecido,
Que por mim é tão lembrado.
Ai se eu tivesse voado
Aonde queria voar
Não estava agora a rimar
Versos de asas cortadas.
Voava junto de si
Assim fico aonde me vê
Mesmo pregadinha ao chão
Com asas de papelão
E sem entender porquê.
Pois a uns faltam-lhe asas
Mas por ter asas cortadas
Sofrem uns e outros não?
Eu tenho sofrido muito
Nos meus voos ensaiados
Que ao querer sair do chão
Ficam-me os pés agarrados,
...E por falar dos pés
Com versos de pés quebrados
Perdoe lá a quem os fez
Pelo mal dos meus pecados
Só os fiz por timidez
Que tenho em me dirigir
A quem tem por lucidez
Razão para distinguir
O bom e o mau Português.
Assim à minha maneira
Aqui venho responder
Desta forma tão ligeira
Que a sério não pode ser!

Amália Rodrigues


Por Bethânia:
Vídeo:

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Sem Fantasia
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque


Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer

Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus

Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar

Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei

No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus



Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=MRyOeRCkZYc&feature=player_embedded

Não sei onde procurar... nao se leve ão a sério

Todos os Caminhos – Lenine
Tema: Lenine / Dudu Falcão

Eu já me perguntei, se o tempo poderá
realizar meus sonhos e desejos.
Será que eu já não sei por onde procurar,
ou todos os caminhos dão no mesmo?
E o certo é que eu não sei o que virá
só posso te pedir…

Que nunca se leve tão a sério,
nunca se deixe levar.
Que a vida é parte do mistério
e é tanta coisa p’ra se desvendar.

Por tudo que eu andei e o tanto que faltar,
não dá pra se prever nem o futuro.
O escuro que se vê, quem sabe pode iluminar
os corações perdidos sobre o muro.
O certo que eu não sei o que virá, só posso te pedir…

Que nunca se leve tão a sério,
nunca se deixe levar.
Que a vida, a nossa vida passa
e não há tempo p’ra desperdiçar.


Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=_I17I6mRgec&feature=player_embedded#at=28

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua
Sérgio Sampaio
Composição: Sergio Moraes Sampaio

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval...

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender

http://letras.ms/zdu

segunda-feira, fevereiro 14, 2011




1 - Somos um mar de foguinhos. Existe gente de fogo sereno, q nem fica sabendo do vento. E existe gente de fogo louco, q enche o ar de faíscas. Alguns fogos, fogos bobos, não iluminam e nem queimam. Mas outros ardem a vida com tanta vontade q não se pode olhá-los sem pestanejar e quem se aproxima se incendeia.

2 - As coisas q se entendem d verdade, as coisas q podemos entender com a rzão e sentir com o coração, são as coisas q a gente é capaz de olhar de dentro e de baixo. Se a gente olhar de cima, com a típica arrogância dos nossos professores de democracia dos EUA ou da Europa (...) e olhar de fora, não entende nada(...) Pq a nossa região é, provavelmente, a mais diversa de todas. Isso q, pra mim, é uma virtude, visto de fora é um grave defeito. Pq se vc não entra no modelo q de cima e de fora acreditam q é democracia., então aqui não existe democracia

3 - Somos muito mais do q dizem q somos.

4 - O medo ameaça:
se vc ama, terá AIDS
se fuma, terá câncer,
se respira, terá contaminação
se bebe, terá acidentes
se come, terá colesterol,
se FALA, terá desemprego
se caminha, terá VIOLÊNCIA
se PENSA, terá angústia
se DUVIDA, terá loucura
se SENTE, terá solidão

5 - Uma das mais bonitas histórias indígenas da América Latina fala q os deuses maias fizeram várias tentativas de criar a mulher e o homem porque estavam muito entediados os deuses e queriam ter com quem conversar. Então nos fizeram de diferentes formas e fracassaram (...) até q encontraram a forma de que a gente fosse a gente, feitos de milho. Os deuses maias nos fizeram de milho e por isso temos todas as cores, como o milho. (...) Mas antes tentaram fazer a mulher e o homem de madeira. E ficaram perfeitinhos, mas tinham um inconveniente gravíssimo: não respiravam (no tenian aliento) e como não respiravam, não tinham palavras para dizer. Porque da boca não saía nada. E eu sempre pensei: se não respiravam também não tinham desalento (desaliento). Para ter fôlego é preciso ter desalento. Para levantar, tem q saber cair. Para ganhar tem q saber perder. (...) vc cai e se levanta muitas vezes. Alguns caem e não se levantam nunca mais, geralmente os mais sensíveis, os mais fáceis de se machucar, os q mais dor sentem ao viver, as pessoas mais sensíveis são as mais vulneráveis. Em contrapartida esses filhos da puta q se dedicam a atormentar a humanidade vivem vidas longuíssimas, não morrem nunca porque não tem uma glândula, q na verdade é bem rara, que se chama consciência. É a q t atormenta pelas noites.
[Su: ele está falando do q ele acha. ]

6 - ... Será q na Terra se perderam?

7 - A amizade é uma forma do amor (...) acho q se exerce na base da honestidade porque a outra amizade, a amizade do "eu amo muito você", e "q lindo q vc é" não é a verdadeira amizade. (...) quando são amigos de verdade, dizem o q se deve dizer mesmo q doa. (...) A amizade é as vezes difícil sobre essa base, atravessa períodos complicados. Mas quando a gente ama de verdade, no amor, na amizade, ama as luzes e as sombras de cada pessoa ou de cada lugar.

8 - Sinto q vc tem um olho no microscópio e outro no telescópio. (Palavras de um jornalista a Galeano)

9 - ... mistério da persistência humana essa mania, às vezes inexplicável, de lutar por um mundo q seja a casa de todos e não a casa de pouquinhos e o inferno da maioria.
(Su: essa persistência é humana? Como seria bom se fosse!)

10 - ... o q acontece é q nós, adultos, ocupamos em transformá-las em nós mesmos e aí destruímos a vida delas. Mas... temos q ver o q é uma criança, não? São todas pagãs. (...) depois o mundo se ocupa de apequenar nossa alma. Isso que chamamos crescimento, desenvolvimento.

11 - ... -Utopia?
- (...) serve para isso, para caminhar.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Olhar estranho

"...a única forma de medir o significado de nossas vidas é valorizando a vida dos outros" (trecho na íntegra)


Fora disso o mundo é só a gente, gente só. É muito pequeno, não? Já vivi pequenamente várias vezes... Aí a gente lembra da Grécia, onde as pessoas não eram indivíduos. Tinham q dizer de onde vieram pra q fossem alguém. Talvez existisse egoismo, mas era menos induzido (meu preconceito?)! Na cidade as pessoas nem se olham. Estranho isso até hj. Mas os velhos e as crianças se olham. Eu sei q tem muita gente ocupada nos centros.... Mas talvez a gente possa tirar milésimos d segundos pra ver deconhecidos ao invés d só desviar deles. Gosto d ver as pessoas caindo na rua... sempre tem alguém pra ajudar. Nem q tenha sido devido ao caos...Elas se olharam. :0)

SuN