domingo, julho 19, 2009

(...)
Vou armado de dentes e coragem
Vou morder sua carne selvagem
Varo a noite sem cochilar, aflito
Amanheço imitando o seu grito
Me aproximo rondando a sua toca
E ao me ver você me provoca
Você canta a sua agonia louca
Água me borbulha na boca
Minha presa rugindo sua raça
Pernas se debatendo e o seu fervor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador

Eu me espicho no espaço feito um gato
Pra pegar você, bicho do mato
Saciar a sua avidez mestiça
Que ao me ver se encolhe e me atiça
Que num mesmo impulso me expulso e abraça
Nossas peles grudando de suor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador
(...)

(Caçada - Chico Buarque)
Valsinha
Vinícius de Moraes
por Chico Buarque

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz


Su:
É o final feliz de quem não só faz de conta.
"Carnalmente eu amo a alma
E com alma eu amo a carne"

(Aula de Amor - Bertolt Brecht)
Teu corpo seja brasa

Teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo

um incêndio basta
pra consumar esse jogo
uma fogueira chega
pra eu brincar de novo

Alice Ruiz

(Su: velha conhecida!!)


Eu só brinco
quando é muito sério é muito sério
(...)
quando a gente brinca
quando a coisa é séria
quando o teu limite
é tão perfeito
quando ser brinquedo
pode ser tão sério
Pode haver um dia
em que a poesia
mude de endereço
deixe apenas tédio
mas enquanto isso
vem brincar comigo
vamos até onde
possa ser só riso
possa ir tão longe
possa ser tão lindo
pode ser brinquedo
pode ser tão sério

(Brinquedo sério - Música: Celito Espíndola e Jerry Espíndola - Letra: Alice Ruiz)

"Por que eu penso agora
sem o meu consentimento?"

Arnaldo Antunes
"De dentro do avião o céu fica em volta, o céu. Do chão não passa."
Arnaldo Antunes


"Mas não há palavra pra dizer dois corpos encostados, ou uma mão segurando um punhado de terra ou duas mãos dadas com um punhado de terra entre elas."
Arnaldo Antunes


"Passarinho é só escutar não precisa pôr na gaiola não precisa pôr na vitrola pra cantar"
Arnaldo Antunes

Su: é preciso deixar claro q passarim na gaiola é tão absurdo quanto na vitrola, sabe? É claro!


"Parecem longe mas são pequenos"
Arnaldo Antunes


As coisas tem peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, duração, densidade, cheiro, valor, consistência, profundidade, contorno, temperatura, função aparência, preço, destino, idade, sentido. As coisas não têm paz.
Arnaldo Antunes


A chuva murmurou meu nome.
Arnaldo Antunes


Um por si, cem por cento.
Arnaldo Antunes
Na noi te eu te mo eu te
amo e te ch
O te lefone do ho te l me
-te me-
do.

Do escuro do negro do breu da voz da noite vem
a tua voz.
Nas estrelas eu tre-
mo e me
a ti ro
a ti só a ti e a
tu: do.

Arnaldo Antunes

Su: Excelência na criatividade!
De qualquer forma atrapalho o cara: ou grifando ou comentando a respeito! Vou deixar em branco a minha parte!


:0)

Vatapa

Quem quiser vatapá, ô
Que procure fazer
Primeiro o fubá
Depois o dendê
Procure uma nêga baiana, ô
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer

Procure uma nêga baiana, ô
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer

Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
Um bocadinho mais

Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
Um bocadinho mais

Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola, iaiá
Na hora de temperar

Não para de mexer, ô
Que é pra não embolar
Panela no fogo
Não deixa queimar
Com qualquer dez mil réis e uma nêga ô
Se faz um vatapá
Se faz um vatapá
E que bom vatapá


Su:
muy divertida!!

sábado, julho 18, 2009

Alegre Menina
(Dori Caymmi / Jorge Amado)


Por que fizeste sultão de mim, alegre menina

Palácio real lhe dei, um trono de pedraria
Sapato bordado a ouro, esmeraldas e rubis
Ametista para os dedos, vestidos de diamantes
Escravas para serví-la, um lugar no meu dossel

E a chamei de rainha, e a chamei de rainha
Porque fizeste sultão de mim, alegre menina

Só desejava campina, colher as flores do mato
Só desejava um espelho de vidro prá se mirar
Só desejava do sol calor para bem viver
Só desejava o luar de prata prá repousar

Só desejava o amor dos homens prá bem amar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar

No baile real levei-a, tu, alegre menina
Vestida de realeza, com princesas conversou
Com doutores praticou, dançou a dança faceira
Bebeu o vinho mais caro, mordeu fruta estrangeira *

Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira
Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira

Por que fizeste sultão de mim, alegre menina



Su: Não precisa realeza...
* linda a interpretação dessa parte.
Alimentando um personagem

Antes a saudade estava ruim, agora tá melhor... entende? Vc dormindo a sua vai ficar pra amanhã. A minha vai pela madrugada. E eu sonho demais... dormir é quase outra forma de estar acordada e voltar pra saudade.

Boa e ruim.
O lugar da saudade é como cabe a falta: num aperto!

Noite. Calmo, quieto, tranqüilo.
Tinha uma baratinha escondida no meu sono. Uma saudade disfarçava seu prazer!

Indas e vindas.
Quando uma saudade deixa? Quando a segunda chega.

SuN

quinta-feira, julho 16, 2009

É PROIBIDO PROIBIR

A mãe da virgem diz que não
E o anúncio da televisão
E estava escrito no portão
E o maestro ergueu o dedo
E além da porta
Há o porteiro, sim...

E eu digo não
E eu digo não ao não
Eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir...

Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estantes, as estátuas
As vidraças, louças
Livros, sim...

Cai no areal na hora adversa que Deus concede aos seus
para o intervalo em que esteja a alma imersa em sonhos
que são Deus.
Que importa o areal, a morte, a desventura, se com Deus
me guardei
É o que me sonhei, que eterno dura e esse que regressarei.

E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir...
¿ Eu Vô... ou não Vô?

Parte III: Conclusão

Sobre o reconhecimento da diferença: A importância dessa perspectiva reside também no fato de que “outrar-se” é “un recurso para vivir varias vidas sin tener que morir tantas muertes.” (KESSELMAN, 2007, p.1)



Obs.: A parte II e III ficaram um lixo porque o sono bateu! Vou ficar devendo!! Escrevi mt mal! Parecia livro de auto ajuda! hehehe

...Ou não, Vô?

Parte II: Acaso e produção da existência


¿Eu Vô...


Parte I : Experiência e decreptude


a) Questões:


Evolução não acontece só com o ganho (de asas, de polegares, de "luz" para o abissal), mas também com a perda. Já tivemos cauda (restando o cóccix como bela lembrança) e já vai indo embora nosso apêndice. Nessa passagem para o desaparecimento, ainda pode ocorrer alguma coisa que transforme estes vestígios em outro algo importante, de modo que nada vai tarde. Tudo é uma questão de Tempo!

Estava no pequeno quintal com meu avô, irmã e mãe. Levantei-me, fugi das farpas de nosso senhor. Quem diria que, depois, eu voltaria para um lugar completamente diferente naquela mesma hora!


Começava a se impor nosso senhor com a sua experiência de 8 décadas de vida sobre meus reles sonhos de 2 décadas! Isso porque dou sorte dele considerar que eu sonho desde 0 anos de idade! Hehehe Ou reduz a maturidade de 0 anos os meus sonhos de hoje? E a falar da decreptude de seu corpo! Sempre concordei com suas desvantagens e nunca concordei com suas conclusões! Sempre o deixei no lugar dos mais velhos que ensinam, mas é tão fato na minha vida que isso não é verdade!


A conclusão dele é de que deveria ter morrido aos 40. Por isso, deixou de viver outros 42 anos! A não ser que se mate, não querer viver acaba com a vida, mas não mata além disso. Meu conceito de bem viver é ser feliz e o raciocínio dele me parece, no mínimo, um caos sem chance pras estrelas! A questão que sobrevive é: como aprender o q ele ensina?


b) Argumentação:


Ao olhá-lo expondo mais uma vez as mesmas feridas, inconformadamente, ao se deter na decreptude que atravancava suas experiências atuais me veio à cabeça: “o lugar dele não tem que ser pior que o meu (como concordávamos há 1 milésimo de segundo atrás). É diferente”. Ele

“Mas esse corpo que não pode tanto, não pode do mesmo jeito, eu quero e ele não obedece”.

Evolução não é perder também? Não a evolução linear no sentido de que tudo acontece para o melhor e continuamos sendo a mesma espécie ou outra mais avançada... mas no sentido de que todas as diferenças dentro de uma “espécie de vida” podem produzir bens diversos. Bens não lineares, mas paralelos.


Envelhecer é uma evolução diferente da da juventude. O corpo muda. Não é o corpo que você tem que deixou as vontades da juventude falando sozinhas. É esse novo corpo que vc é que requer de vc q vc seja outro. Pode ser “essencialmente” o mesmo, mas há diferenças que te fazem um tanto outro. Pode-se, talvez, sentir-se enganado pela existência... “quanto mais eu cresço, ao invés de aprender como ser melhor numa vida só, tenho que aprender a ser melhor como jovem e, depois, quase como zerar, aprender a ser melhor de novo como velho”. Adianta dar-se conta dessas questões, porém, de que adianta estacionar nelas? Senão terá q formular outra melhor ainda: “quem eu processo: Deus ou a natureza?”. hehehe


Automaticamente a questão da experiência também fica vulnerável! Como sobrepor completamente a experiência de senhor a minha de jovem se minha juventude é diferente do que foi a sua? É fato que, como os senhores, envelhecerei também... Mas por que tudo q não foi realizado pelo senhor transforma meus planos em sonhos infantis? Aí paira o fantasma do conflito de gerações! É um conflito de realizações, na verdade. Se eu realizar o que antes não podia ou não pôde ser feito, é provável que as sensações de perda do envelhecimento aumentem. Com nosso vizinho de juventude isso já acontece só que, neste caso, ainda está “em tempo” e, no caso dos senhores, aquele tempo já passou. A nossa cultura gera esse tipo de idéia ingrata. Um tempo passou, mas outro tempo vigora. E a velhice vai se figurando, pouco a pouco, como um “nascer de novo”! Eu posso morrer amanhã tanto quanto quem se acha no fim da vida vive mais 40 anos.


Como num apelo, olhei para o meu senhor e perguntei, com cuidado (o tom de voz suave, as mãos falando com a linguagem de sinais tipo hieróglifos, olhos humildes, e só 2 décadas pra coordenar um corpo jovem inteiro!):

“se eu reconheço a sua experiência por que o senhor não reconhece a minha?”.

Assim, como a metralhadora q eu fui e tendo q dar nomes aos bois q ele não ousava nomear (mas já soltava no pasto hehehe) continuei

“não me sinto reconhecida pelo senhor e só te reconheço a distância por causa do conflito de gerações que nos impede d conversar”.

Era impressionante (ta, vai! Emocionante!) falar isso e sem ser interrompida!

“O senhor sofreu aquele acidente e isso mudou minha perspectiva de vida! Cortou o supercílio, quebrou uma clavícula e uma costela aos 81 anos, ficou confuso e hj parece novo, ou seja, eu posso viver muito! O senhor pode se isolar, mas isso não te garante deixar de existir, só que limita a sua vida.”

Tudo q ouvi, e significou MT pra mim, foi

“Vc não é mais a mesma.”

Era um momento denso porque:

- nós estávamos conversando

- eu estava refazendo meu conceito assustador de velhice de forma positiva

- e tentando mudar a vida dele também (pelo menos minhas pretensões têm coração! hehehe)


Minha proposta foi:

“A gente pode evoluir junto. Eu não vou me transformar por sua causa e nem vc por minha, mas podemos mudar um pouco pra melhor. Vc ta numa fase q eu não conheço e eu vivo uma idade q vc já teve num tempo diferente. A sua experiência pode ajudar meus sonhos a virarem planos e eu posso expandir seus horizontes”




quarta-feira, julho 15, 2009

FENÔMENOS DA NATUREZA
(Jorge Vercillo)

A nascente de um sentimento
não escolhe lugar nem momento
pra surgir e suas águas claras fluir
como um rio que nasce no fundo de mim.

Tua voz me tomando por dentro
é a vazante do meu sofrimento
e a retina não deságua mais por sofrer
se a enchente do meu pensamento é você
na regência das luas em mim
teu amor correnteza sem fim
são fenômenos da natureza agindo em nós.

Teu cabelo perfumando o vento
primavera bem antes do tempo
tua pele de fruta tem cheiro de flor*
e eu que ontem vivia os invernos do amor
hoje colho um outono de paz
amanhã um verão de calor
são fenômenos da natureza em nós


*parecida com a frase "original"

terça-feira, julho 14, 2009

"Gosto de comparar o contexto institucional da nossa atuação ao nascimento do samba carioca, dança afro-brasileira de projeção internacional, referindo-me à lindas pesquisas de Carlos Sandroni10, que coloca duas perguntas: por que, no início do século XX, o novo modelo rítmico sofreu muitas dificuldades para impor-se na música escrita e gravada? Por que, quando conseguiu reconhecimento e divulgação, na década de 30, fez com tanta força e consenso?

A resposta à primeira pergunta refere-se a um triplo recalcamento, cognitivo (já que o modelo rítmico, de origem africana, contradizia os ritmos comêtricos (regulares) europeus, aos quais o ouvido acadêmico estava acostumado), social (já que os Negros eram dominados, marginalizados e desprezados em relação à “boa sociedade”), e estético (uma vez que esse ritmo estava claramente expondo sua condição de “música de Negros”). O que podemos chamar de incontestável “vitória afro-brasileira” foi como a afirmação de uma pedagogia, um pouco como se os músicos da Escola de Samba Estácio de Sá quisessem dizer: na cultura não escrita do povo afro-brasileiro existem tradições de batucada polirítmica, desenvolvidas na escola de samba, que não podem ser reduzidas ao maxixe bem educado, embranquecido, e eis aí nosso ritmo, nosso emblema: o samba. Para a Praça Onze desceu a alma sonora dos morros, e aos poucos vai compondo-se a aquarela do Brasil, a identidade musical multiracial do povo, onde o elemento africano desenvolve um papel de fundamental importância. Os pesquisadores da música sabem que as relações étnicas e sociais no Brasil foram de dominação, de confronto e resistência, e também de interação, aliança e compromisso entre diversos setores da sociedade. Durante 500 anos de convivência, as músicas miscigenaram-se, inclusive de modo polêmico, do mesmo modo que interferiram as relações culturais, sem que nunca se deixasse de lado a questão das forças motrizes do devir estético e social, dos elementos motores nas interações sociais que participam da definição das culturas. Ou seja, ao mesmo tempo, alianças e lutas pela dominação, no encontro dos modelos estéticos, culturais e políticos. Os músicos da Estácio de Sá educaram o Brasil inteiro, encontrando na forma institucional da escola de samba – o que implicava em compromissos com forças sociais não exatamente populares (bicheiros…) – o espaço institucional para essa educação. Queremos pensar a “episteme”, o modelo epistemológico, cultural e político da educação popular, a partir desse exemplo."

Fonte: http://www.fafich.ufmg.br/nesth/IIIseminario/texto5.pdf

Su: Depois q me peguei com o danado do samba nunca mais me separei! É recente mas é pra sempre! :0) A matéria só usou o samba como exemplo. É sobre educação.
"Por isso q eu sempre gostei de algo nas cidades pequenas. Como as ruas estreitas, por exemplo. Era fácil ter alguém na cabeça e na pequena multidão encontrar uma só. As cidades grandes amontoam as pessoas, mas as suas ruas largas distanciam as calçadas e separam em multidões. Até que começamos a usar as realidades virtuais, além das reais. O espaço estava mesmo ficando apertado! E o efeito é q uma calçada ficou invisível a outra... deixando a rua para o futuro, para o encontro, nada imediato... só a vontade!"

Su: Escrevi para alguém muito próximo, apesar dos problemas superficiais! :0)) Por dentro a gente sempre se encontrava... dependia do tempo, do espaço, da mata!
Preciso Me Encontrar
Cartola


Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra nao chorar.

Quero assistir o sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir o pássaros cantar,
Eu quero nascer quero viver...

Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra não chorar.

Se alguem por mim perguntar,
Diga que eu só vou voltar,
Depois que eu me encontrar...
É preciso entender que a história é uma tentativa de reconstruir os grandes acontecimentos para tentar repetí-los. O institucionalismo vai de encontro a isso e a estuda para militar a favor da "TRANSFORMAÇÃO em direção ao radicalmente novo e, portanto, relativamente desconhecido.".


Fonte: Compêndio de análise institucional e outras correntes: teoria e prática, Cap II "Sociedades e Instituições " / Gregório F. Baremblitt. - Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1992.

Concepção institucionalista de sociedade


“Em uma instituição pode-se distinguir duas vertentes: uma é a do instituído a outra do instituinte. (...) Há muitas instituições como a instituição da língua, ou das relações de parentesco e a da religião e a da divisão do trabalho (...) para que uma sociedade humana exista, tem de existir, como mínimo, essas quatro instituições humanas”


A humanidade é regida por estas instituições. O conjunto de instituições supõe uma civilização.


Em poucos momentos históricos se pode assistir ao nascimento de uma grande instituição. É mais fácil assistir os grandes momentos de revolução de uma instituição.


“Os momentos de transformação institucional (...) ou as forças que tendem a fundá-la são chamados (...) forças instituintes. (...)”


Característica dinâmica, é um processo.


“Em produto geram o instituído”


Característica estática, é o resultado.


“Tem-se que evitar uma leitura do tipo maniqueísta, que pensa que o instituinte é bom e o instituído é ruim, embora seja verdade que o instituído apresente (...) uma tendência à resistência (...) Pelo contrário, o instituinte aparece como atividade revolucionária (...). Na realidade, não é exatamente assim porque o instituinte careceria completamente de sentido se não se (...) materializasse nos instituídos.

(...)

Os instituídos e organizados apresentam (...) freqüentemente funções a serviço da exploração, da dominação, da mistificação. E as manifestam de tal maneira que as fazem parecer “naturais”, desejáveis e eternas, ao passo que o instituinte e o organizante são sempre inspirados pela utopia (...) processos chamados de funcionamento.”


Então instituinte, organizante e funcionamento estão a serviço da produção enquanto que o instituído, o organizado e a função são sinônimos de reprodução (“tentativa de reiterar o igual, de perpetuar o que já existe, aquilo que não é operativo para acompanhar as transformações sociais”).


A questão é: “Como entender, como analisar cada instituição, cada organização, e como intervir para propiciar-lhes a ação do instituinte e do organizante?” Como intervir se o instituído – instituinte, o organizado – organizante trabalham juntos (o instituinte depende do instituído pra se materializar)?


“Essa interpenetração [trabalharem juntos] acontece (...) a favor da utopia (instituinte) e contra a utopia (instituído)”.


Tanto o já instituído vai influenciar nas novas atitudes quanto o instituinte revolucionário também poderá atuar (respectivamente: atravessamento e transversalidade.)


Ex.: Uma escola também prepara força de trabalho (alienado), ou seja, também é uma fábrica; mantêm os alunos presos de 6 à 8 horas por dia ensinando não só a escrever mas, inclusive, obedecer transmitindo-lhes um sistema de prêmios e punições, ou seja, é também um cárcere; transmite-lhes valores do que deve ser construído/destruído, também sendo um quartel. A nível do já instituído, a escola está atravessada por outras organizações, faz reproduções.


“Mas uma escola também é um âmbito onde se tem a ocasião de formar um agrupamento político-escolar, (...) também se pode aprender a lutar contra a exploração, a dominação, a mistificação.”


Uma escola também tem um lado instintuinte (interpretação chamada de transversalidade)


Instituído é reprodução, sua influência nas instituições chama-se atravessamento.

Instintuinte é produção, sua influência chama-se transversalidade. -> este é o modo de trabalho institucionalista:


“os efeitos da transversalidade caracterizam-se por criar dispositivos que não respeitem os limites das unidades organizacionais formalmente constituídas, gerando, assim, movimentos e montagens alternativos, marginais e até clandestinos às estruturas oficiais e consagradas.

(...)

Com isso temos definida, até certo ponto, qual é a concepção institucionalista da sociedade.”




Fonte: Compêndio de análise institucional e outras correntes: teoria e prática, Cap II "Sociedades e Instituições " / Gregório F. Baremblitt. - Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1992.

segunda-feira, julho 13, 2009

Menininha do Portão

Wilson Simonal / Maria Rita (imagina só! hehehe)

Composição: Nonato Buzar / Paulinho Tapajós

Menininha sai do portão
Vem também brincar
Vem pra roda
Me dê a mão
Traz o seu olhar, seu lindo olhar
Vou girando na roda
Vou cantando à sua espera
Quem me dera um dia
Ter seus olhos
Cor da primavera
Todo o dia no seu portão
Vejo o seu olhar
Bate forte meu coração
Mas não sei contar, não sei contar
E eu pego a viola
Faço um verso feito um trovador
Quem sabe, então
Você me dê...
Me dê o seu amor

Menininha...

Su: Mas q bonitinha!

Lobo Bobo

Wilson Simonal

Composição: Carlos Lyra / Ronaldo Bôscoli

Era uma vez um lobo mau
que resolveu jantar alguem
estava sem vintem
mas arriscou
e logo se estrepou
um chapeuzinho de maio
ouviu buzina e nao parou
mas lobo mau insiste
faz cara de triste
mas chapeuzinho ouviu
os conselhos da vovo
dizer que nao pra lobo
que com lobo nao sai só

lobo canta, pede promete
tudo ate amor
e diz que fraco de lobo
é ver um chapeuzinho de maio

chapeuzinho percebeu
que o lobo mau se derreteu
pra vez voces que lobo
tambem faz pápel de bobo

so posso lhe dizer
chapeuzinho agora traz
um lobo na coleira que
nao janta nunca mais

lobo bobo.......


Su: Então esse tempo todo era vc, Simonal!


Vídeos:
Sobre o documentário:
- http://www.youtube.com/watch?v=rxnNvWLE9pI&hl=pt-BR

Algumas músicas:
- http://www.dailymotion.com/video/x2nfke_wilson-simonal-live-in-the-60s-dvd_music
- http://www.youtube.com/watch?v=8Hc0FGmXONk&feature=PlayList&p=24C3FF7DBAE86078&index=4
- http://www.youtube.com/watch?v=Aeu0vvMxDnE&hl=pt-BR

obs.: Era para ser Simonar (nome do médico da família) mas, por erro na hora do registro, ganhamos o SimonaL!
Teve anistia (da acusação de dedo-duro durante a ditadura) depois de morrer pela segunda vez!!

quinta-feira, julho 09, 2009

(...)
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa.
Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa. Como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

(Almada Negreiros)


Su: Não um nó-cego que nos deixasse num rumo inconciliável pela vida de cá. Mas cego da forma que não te deixasse ir sem mim, eu ficar sem vc!

(Pra minha mulata gótica! hahaha)
(obs. de última hora: a poesia ganhou uma parede aqui em casa! :0D)
Nada de ser mais ou menos
Eu sou sempre tudo o que sou
Não sou de pegar sereno
Eu me molho é na chuva de amor
Quando vou e quando venho
Me pego com Nosso Senhor
Mas no terreiro também tenho
Um santo como protetor.
É preciso viver
pra saber separar
...

(Tudo que sou - Toninho Geraes e Toninho Nascimento)
"A crise está tão íntima que ando chamando de Cris."
Brenda Garret


Su: hahaha Por isso q tudo me soa familiar!
Fadas
(Luiz Melodia)

Intérprete: Elza Soares!

Devo de ir, fadas
Inseto voa em cego sem direção
Eu bem te vi, nada

Ou fada borboleta, ou fada canção

As ilusões fartas
A fada com varinha virei condão
Rabo de pipa, olho de vidro
Pra suportar uma costela de Adão

Um toque de sonhar sozinho
Te leva a qualquer direção
De flauta, remo ou moinho
De passo a passo passo...


Su: muito forte. Cego, cego, mas voa. Nasceu pra voar. Bem do tipo que perde as patas, queima a asas e o corpo caindo pro fim ainda pensa q consegue pousar. Se nascer de novo, vai ser a mesma história.

(muito divertido imitar Elza cantando!) :0)
E Depois
Seu Jorge

É dia de te ver, que sorte grande, sim senhor...
É mamão no mel, algodão doce azul
E é bom, acende uma alegria tipo curumim
Por causa do que vibra dentro de você
Você não tem idéia como sou feliz
Às cinco eu passo aí para um sorvete
Levo o disco do Bob que você me pediu
E aí... a gente vai passear
E aí... a gente vai namorar
E depois... e depois... e depois...


Su: parece tão simples ...

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=39CFC8M_RvY
Deusa do Amor
Moreno Veloso +2
Composição: Valter Farias

Tudo fica mais bonito quando você está por perto
você me levou ao delírio por isso eu confesso
os seus beijos são ardentes
quando você se aproxima o meu corpo sente
os seus beijos são ardentes
quando você se aproxima o meu corpo sente
Vem pra cá deusa do amor
Vejam o bloco Olodum ao passar na avenida
todos cantando felizes de bem com a vida
caminhando lado a lado
formamos um belo casal somos dois namorados
no suingue dessa banda
balança o mais forte alicerce que tem neste mundo
o cupido me flechou
foi no bloco Olodum que encontrei meu amor
Vem pra cá deusa do amor
vem me embalar, neném


Su: tem música q parece ter aura de gente! :0)

quarta-feira, julho 08, 2009

Falso Amor Sincero
Cláudia Telles
Composição: Nelson Sargento

O nosso amor é tão bonito
Ela finge que me ama
E eu finjo que acredito

O nosso falso amor é tão sincero
Isso me faz bem feliz
Ela faz tudo que eu quero
Eu faço tudo o que ela diz

Aqueles que se amam de verdade
Invejam a nossa felicidade


Su:
Só o amor e a sinceridade não sabem brincar!!!
Sinceridade não é meia verdade. Saber amar não é amor.

terça-feira, julho 07, 2009

"O Teatro-Fórum consiste na encenação de problemas, baseados em fatos reais, cujos personagens envolvidos não conseguem resolvê-los. O público participa entrando em cena, substituindo os personagens oprimidos e improvisando alternativas. No Teatro Legislativo, além das intervenções na ação dramática, os espectadores também são estimulados a escreverem propostas de leis, que visem à resolução do problema apresentado. Essas propostas são recolhidas e entregues à Célula Metabolizadora: equipe formada por um especialista no tema encenado, um assessor legislativo e um advogado com experiência na área, cuja função é fazer a "metabolização" das propostas, ou seja, analisá-las e sistematizá-las, para que sejam novamente encaminhadas à platéia para discussão e votação, ao final da apresentação, quando se instaura a Sessão de Teatro Legislativo.

Através dessa iniciativa, até o momento, já foram produzidas doze leis municipais, um decreto legislativo, uma resolução plenária, duas leis estaduais e dois projetos de lei em tramitação, na cidade e no estado do Rio de Janeiro, todas oriundas da interação de grupos populares com a população. Esses resultados demonstram a viabilidade da democratização da política através do teatro, que estimula o exercício da democracia direta e participativa. Os textos dessas iniciativas estão disponíveis em www.ctorio.org.br"
Su: Olha aonde a psicologia dos grupos me levou! :0)

segunda-feira, julho 06, 2009

"Para Saffioti & Almeida (1995), o conceito de violência de gênero designa um tipo específico de violência que visa à preservação da organização social de gênero, fundada na hierarquia e desigualdade de lugares sociais sexuais. Segundo essas duas autoras, a violência de gênero tem duas faces: é produzida no interior das relações de poder, objetivando o controle de quem detém a menor parcela de poder, e revela a impotência de quem a perpetra para exercer a exploração-dominação, pelo não-consentimento de quem sofre a violência.
A questão de gênero é um fator preponderante na produção da violência social, interpessoal e familiar. Como destaca Saffiotti (1999), é importante lembrar que a predominância da categoria de gênero não existe de forma abstrata, ao contrário, articula-se com a categoria de classe e raça/etnia. Na escala social do exercício da dominação-exploração por legitimação do poder ou imposição através da violência, o homem adulto, branco e rico tem predominância sobre as mulheres, crianças, pobres e negros.

No exercício do poder patriarcal, os homens detêm o poder de determinar a conduta das categorias sociais nomeadas, recebendo autorização ou, pelo menos, tolerância da sociedade para punir o que se lhes apresenta como desvio. Ainda que não haja nenhuma tentativa, por parte das vítimas potenciais, de trilhar caminhos diversos do prescrito pelas normas sociais, a execução de projeto de dominação-exploração da categoria social homens (grifo da autora) exige que sua capacidade de mando seja auxiliada pela violência. Com efeito, a ideologia de gênero é insuficiente para garantir a obediência das vítimas potenciais diante dos ditames do patriarca, tendo este necessidade de fazer uso da violência. Nada impede, embora seja inusitado, que uma mulher pratique violência contra seu marido/companheiro/namorado. As mulheres como categoria social não têm, contudo, um projeto de dominação exploração dos homens. Isso faz uma gigantesca diferença. (Saffiotti, 2001, p115 )"
...

Fonte: Violência e abuso sexual na família, Maria de Fátima Araújo
Psicologia em Estudo, Maringá, v. 7, n.2, p. 3-11, jul/dez. 2002

Su: Outro ponto interessante e central do texto é que sua indicação terapêutica para os casos de abuso sexual infantil intrafamiliar deve ser a "terapia de grupo familiar, envolvendo todos os membros da família, principalmente o agressor"! Difícil? Pra todo mundo... só que faz sentido! Mas preferi destacar essa questão do gênero...

domingo, julho 05, 2009

" Na carta enviada por Jung a Sabina, em 4 de dezembro de 1908, ele afirma: “... Busco a pessoa que seja capaz de amar o outro sem que o puna por isto, sem que o torne prisioneiro ou exangue; busco essa pessoa do futuro, que saiba realizar um amor independente das vantagens ou desvantagens sociais, a fim de que o amor seja sempre um fim em si mesmo, e não apenas um meio em vista de uma finalidade...” Parecia-lhe, a princípio, que Spielrein, poderia ocupar esse lugar, uma vez que possuía autonomia, inteligência, independência e devoção a ele suficientes para se lançar num tipo de relacionamento tão despojado para a época que viviam.
...
Em seu livro autobiográfico, “Memórias, Sonhos e Reflexões”, Jung contando sobre seu encontro com as imagens arquetípicas do Velho Sábio e da Anima: Elias, Filemon e Salomé, relata ter ouvido uma voz interior, feminina, que dizia que não era ciência o que ele fazia e, sim, arte. Em suas palavras: “Eu sabia que a voz provinha de uma mulher, e a reconheci como sendo a de uma paciente, uma psicopata muito dotada, que estabelecera uma forte transferência em relação a mim. Ela se tornara um personagem vivo de meu mundo interior”.

Essa paciente era Sabina Spielrein e ela, nem nesse momento do livro, é citada nominalmente; seu nome foi omitido, foi “censurado”! (o verdadeiro Memórias, Sonhos e Omissões, de Sonu Shamdasani) "

Fonte: http://www.rubedo.psc.br/artigosc/domieros.htm

Su: Eu aqui tentando achar um caso clínico de Jung para o seminário de segunda-feira e sou forçada a concluir q posso achar um psicopata! hahaha

quinta-feira, julho 02, 2009

Tudo por acaso
Lenine
Composição: Indisponível

Eu sei!
Tudo por acaso
Tudo por atraso
Mera distração...

Eu sei!
Por impaciência
Por obediência
Pura intuição...

Qualquer dia
Qualquer hora
Tempo e dimensão
O futuro foi agora
Tudo é invenção...

Ninguém vai
Saber de nada
E eu sei
Pelo sentimento
Pelo envolvimento
Pelo coração...

Eu sei!
Pela madrugada
Pela emboscada
Pela contramão...

Qualquer dia
Qualquer hora
Tempo e dimensão
O futuro foi agora
Tudo é invenção...

Ninguém vai
Saber de nada
E eu sei
Por qualquer poesia
Por qualquer magia
Por qualquer razão...

E eu sei!
Tudo por acaso
Tudo por atraso
Mera diversão
Mera diversão...

Qualquer dia
Qualquer hora
Tempo e direção
O futuro foi agora
Tudo é invenção...

Ninguém vai
Saber de nada
E eu sei!...

segunda-feira, junho 29, 2009

Magra

Lenine

Composição: Lenine/Ivan Santos

Moça
Pernas de pinça
Alta
Corpo de lança
Magra
Olhos de corça
Leve
Toda cortiça
Passa
Como que nua
Calma
Finge que voa
Brasa
Chama na areia
Bela
Como eu queria
Magra, leve, calma
Toda ela bela
Tudo nela chama
Segue
Enquanto suspiro
Toda
Cor de tempero
Cheira
Um cheiro tão raro
Clara
Cura o escuro
Ela
Braços de linha
Dengo
Cheio de manha
Durmo
E peço que venha
Acordo
E sonho que é minha
Magra, leve, calma
Toda ela bela
Tudo nela chama

O Que É Bonito?

Lenine

Composição: Indisponível

O que é bonito

É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...

Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito

Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra

Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça


O que é bonito...


Vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=gGcM4TfJdco&eurl=http%3A%2F%2Fletras.terra.com.br%2Flenine%2F173403%2F&feature=player_embedded

Su: Eu quero tudo...

domingo, junho 28, 2009

Demônio Colorido
Sandra de Sá
Composição: Sandra De Sá

Seus olhos ao invés de verdes
Deveriam ser vermelhos incandescentes
Na mão ao invés de uma rosa *¹
deveria ter um tridente
Sua voz é tão suave
Quando deveria ser mais arrogante
Vadiando na minha cabeça
Não me deixa um só instante
Mas eu vou lhe guardar
Com a força de uma camisa
Me despir do pavor
Lhe chamar de amiga
24 horas por dia
Tentando o meu juizo
Foi unanimamente eleita
Meu Demônio Colorido

Ouve, vai:
http://b.radio.musica.uol.com.br/radio/index.php?ad=on&ref=Musica&busca=dem%F4nio+colorido&param1=homebusca&q=dem%F4nio+colorido&check=musica



Su: Pq não pode ser coisa de Deus! hahaha A gente tem uma mania de Deus-pai-bom, como se ele só fizesse o bem. Ele faz pro bem (para aquele q crê) ainda q seja o mal. Mas faz mal tb, então.
Mas esse demônio colorido não é Deus... ele não prevê o seu bem. Quando os bens se encontram é que pode acabar sendo bom para os dois. Mas o instinto aqui não é de preservação! É divertidamente devastador até que se plante alguma coisa q crie raíz ou que morra nas intenções da semente!
É o risco da sensibilidade!! Com intensidade até o bem faz mal! Lidar com isso é sempre ser manipulado pelo q é mais forte que vc. Esse poder q sai de vc mesmo. Q vc doa só pra te faltar depois! Q vc prende com medo de perder! Que tenta não chegar ao ponto de não dar nada senão não vive! Viver é fundamental (todo dia discordo do Vini Moraes!)! Seja o que for, ainda q viva tanto por tão pouco não é o mesmo que ser em vão. É pelo que poderia ter sido!

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
(Ricardo Reis)



*¹Acho rosa morta uma pena! E rosa viva acaba morrendo (quem sabe cuidar?)!
Perdida! :0))
De tudo q passe, q fique o mal e o bem em seus devidos lugares! O bem pra t deixar feliz, o mal pra t fazer melhor! :0) bjo*...
(!)

quinta-feira, junho 18, 2009

Sem Saúde
Gabriel O Pensador

Pelo amor de Deus alguém me ajude!
Eu já paguei o meu plano de saúde mas agora ninguém quer me aceitar
E eu tô com dô, dotô, num sei no que vai dá!
Emergência! Eu tô passando mal
Vô morrer aqui na porta do hospital
Era mais fácil eu ter ido direto pro Instituto Médico Legal
Porque isso aqui tá deprimente, doutor
Essa fila tá um caso sério
Já tem doente desistindo de ser atendido e pedindo carona pro cemitério
E aí, doutor? Vê se dá um jeito!
Se é pra nós morrê nós qué morrê direito
Me arranja aí um leito que eu num peço mas nada
Mas eu num sou cachoro pra morrer na calçada
Eu tô cansado de bancar o otário
Eu exijo pelo menos um veterinário
Me cansei de lero lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar...
"Doutor, por favor, olha o meu neném!
Olha doutor, ele num tá passando bem!
Fala, doutor! O que é que ele tem!?"
- A consulta custa cem.
"Ai, meu Deus, eu tô sem dinheiro"
- Eu também! Eu estudei a vida inteira pra ser doutor
Mas ganho menos que um camelô
Na minha mesa é só arroz e feijão
Só vejo carne na mesa de operação
Então eu fico 24 horas de plantão pra aumentar o ganha pão
Uma vez, depois de um mês sem dormir, fui fazer uma cirurgia
E só depois que eu enfiei o bisturi eu percebi que eu esqueci da anestesia
O paciente tinha pedra nos rins
E agora tá em coma profundo
A família botou a culpa em mim
E eu fiquei com aquela cara de bunda
Mas esse caso não vai dar em nada
Porque a arma do crime nunca foi encontrada
O bisturi eu escondi muito bem: Esqueci na barriga de alguém
Me cansei de lero lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cancei de escutar...
Socorro! Enfermeira! Urgente!
Tem uma grávida parindo aqui na frente!
...Ninguém me deu ouvidos
E eu dei um nó no umbigo do recém-nacido
Mas o berçario tá cheio então eu fico com o bebê no meu colo aqui no meio da rua
E lá dentro o doutor tá botando o paciente no colo:
- "Por favor, fique nua!"
(Quê isso doutor?! Tem certeza?)
- "Confie em mim. É terapia chinesa. Tira a roupa!"
(Mas é só dor de dente)
- "Então abre a boca! (Ahhh) Beleza!"
(Ai, doutor, tá doendo!)
- "É isso mesmo, o que arde cura"
(Não! Pára! Não! Pára doutor! Não pára, doutor! Ai... Que loucura!!!)
- "Pronto, passou, tudo bem. Volta na semana que vem!"
Ela vai voltar pra procurar o doutor
Essa vai voltar, pode escrever!
Mas só daqui a nove meses, com um filho da consulta na barriga querendo nascer
Me cansei de lero lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar...
Que calamidade!
Dos bebês que nascem virados pra lua e conseguem um lugar na maternidade
A infecção hospitalar mata mais da metade
E os que sobrevivem e não são sequestrados devem ser tratados com todo o cuidado
Porque se os pais não tem dinheiro pra pagar hospital uma simples diarreia pode ser fatal
- "Come tudo, meu filho, pra ficar bem forte"
(Ah, mãe! Num aguento mais farinha!)
- "Mas o quê que tu quer? Se eu num tenho nem talher?"
(Pô, faz um prato diferente, maínha!)
- "Eu ia fazer a tal da 'autopsia' mas eu não tenho faca de cozinha!!"
Tá muito sinistro! Alô, prefeito, governador, presidente, ministro, traficante, Jesus Cristo, sei lá...
Alguma autoridade tem que se manifestar!
Assim num dá! Onde é que eu vou parar?
Numa clínica pra idosos? Ou debaixo do chão?
E se eu ficar doente? Quem vem me buscar?
A ambulância ou o rabecão?
Eu Tô sem segurança, sem transporte, sem trabalho, sem lazer
Eu num tenho educação, mas saúde eu quero ter
Já paguei minha promessa, não sei o que fazer!
Já paguei os meus impostos, não sei pra quê?
Eles sempre dão a mesma desculpa esfarrapada:
"A saúde pública está sem verba"
E eu num tenho condições de correr pra privada
Eu já tô na merda.

segunda-feira, junho 15, 2009

Linda Rosa

Maria Gadú

Composição: Gugu Peixoto / Luis Kiari

Pior que o melhor de dois
Melhor do que sofrer depois
Se é isso que me tem o certo
A moça de sorriso aberto
Ingênua de vestido assusta
Afasta-me do ego imposto
Ouvinte claro, brilho no rosto
Abandonada por falta de gosto

Agora sei não mais reclama
Pois dores são incapazes
E pobres desses rapazes
Que tentam lhe fazer feliz

Escolha feita, inconsciente
De coração não mais roubado
Homem feliz, mulher carente
A linda rosa perdeu pro cravo

...
relevante...
...

domingo, junho 14, 2009

Lounge

Maria Gadú

Composição: Maria Gadú

Vamos prum lounge
Beber um vinho safra ruim
E conversar sobre a tv

Vamos pra longe
Sem se tocar os olhos vão
Se encontrar e se perder

(Refrão)
Eu e você assim de perto dá
Pra eu me perder de vez nas suas tintas
Me dá uma noite, um pouco da manhã
Pra eu sacar se os olhos mudam de cor

Vamos entrar
A minha casa não é quente
Trago um vermelho pra esquentar

Vamos suar
Com o veneno da serpente
Que eu roubei pra te picar

(Refrão)

Shimbalaiê

(Maria Gadu)

[Ouvir]

Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar (2x)

Natureza deusa do viver
A beleza pura do nascer
Uma flor brilhando à luz do sol
Pescador entre o mar e o anzol

Pensamento tão livre quanto o céu
Imagino um barco de papel
Indo embora pra não mais voltar
Tendo como guia Iemanjá

Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar (2x)

Quanto tempo leva pra aprender
Que uma flor tem vida ao nascer
Essa flor brilhando à luz do sol
Pescador entre o mar e o anzol

Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar (2x)

Ser capitã desse mundo
Poder rodar sem fronteiras
Viver um ano em segundos
Não achar sonhos besteira
Me encantar com um livro, que fale sobre vaidade
Quando mentir for preciso, poder falar a verdade

Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar (4x)

sábado, junho 13, 2009

Meu coração é uma máquina de escrever
As paixões passam
As canções ficam
Os poemas respiram nas prisões

Pra ler um verso ouvir
Escuta meu coração falar
Até se calar a pulsação

...

Mas há palavras em meu coração
Letras e sons
Brinquedos e diversões
Que passem as paixões
Que fiquem as canções
...
Meu coração é uma máquina de escrever
É só você bater pra entrar na minha história


(Máquina de Escrever - de Luís Capucho / Mathilda Kóvak)

quinta-feira, junho 11, 2009

O Riso e a Faca
Tom Zé

Quero ser o riso e o dente
quero ser o dente e a faca
quero ser a faca e o corte
em um só beijo vermelho

Eu sou a raiva e a vacina
procura de pecado e conselho
espaço entre a dor e o consolo
a briga entre a luz e o espelho

Fiz meu berço na viração
eu só descanso na tempestade
só adormeço no furacão







Su: O beijo que toma o pedaço q deixa! Na cor da escolha q o corpo mancha! Parte q não leva pra si... Tritura. Só no limite q não separa, arranca. O desejo não quer a cicatriz tão simples! Que fique o bocado conquistado! Confundível, adormecido, como se nada acontecesse, mas que incandece até com o cheiro do cheiro daquilo que no tempo não deve sarar! A cura é para o passado! É seu o seu corpo, porém aonde vc se engana ele é meu todo! A sua carne te confunde por ser vc tão óbvio! ... seja lá quem for, a minha parte é essa ilha tão marcada no meio de tudo q pode ser vc. Aquela q fica, tão exata quanto uma porção de terra cercada pelo mar; tão perdida quanto um arquipélago claro, gigantesco, no desconhecido!
Só irrompe em mal onde não tem bem o q fazer... O vazio sem instrução que tantos buscam atravessar ninados eu me exponho a uma solidão, não a todas! Me dói* e machuco assim. Compenso ou não com o colo meu, ...infinito... !
Sou o meio! Para sempre ou para o fim.
É berço confortável o tempestuoso furacão que se parecer comigo!



* dói-me não quero!!!!!!
[Em construção!]

segunda-feira, junho 08, 2009

Halo

Remember those walls I built
Well baby they're tumbling down
And they didn't even put up a fight
They didn't even make a sound
I found a way to let you in
But I never really had a doubt
Standing in the light of your halo
I got my angel now

It's like I've been awakened
Every rule I had you breaking
It's the risk that I'm taking
I ain't never gonna shut you out

Everywhere I'm looking now
I'm surrounded by your embrace
Baby I can see your halo
You know you're my saving grace
You're everything I need and more
It's written all over your face
Baby I can feel your halo
Prey it won't fade away

I can feel your halo, halo, halo
Can see your halo, halo, halo
Can feel your halo, halo, halo
Can see your halo, halo, halo

Hit me like a ray of sun
Burning through my darkest night
You're the only one that I want
Think I'm addicted to your light
I swore I'd never fall again
But this don't even feel like falling
Gravity can't forget
To pull me back to the ground again

Feels like I've been awakened
Every rule I had you breaking
It's the risk that I'm taking
I'm never gonna shut you out

Everywhere I'm looking now
I'm surrounded by your embrace
Baby I can see your halo
You know you're my saving grace
You're everything I need and more
It's written all over your face
Baby I can feel your halo
Prey it won't fade away

I can feel your halo, halo, halo
Can see your halo, halo, halo
Can feel your halo, halo, halo
Can see your halo, halo, halo
Can feel your halo, halo, halo
Can see your halo, halo, halo
Can feel your halo, halo, halo
Can see your halo, halo, halo
Halo, halo

Everywhere I'm looking now
I'm surrounded by your embrace
Baby I can see your halo
You know you're my saving grace
You're everything I need and more
It's written all over your face
Baby I can feel your halo
Prey it won't fade away

I can feel your halo, halo, halo
Can see your halo, halo, halo
Can feel your halo, halo, halo
Can see your halo, halo, halo
Can feel your halo, halo, halo
Can see your halo, halo, halo
Can feel your halo, halo, halo
Can see your halo, halo, halo

Su: Será?
E quem falta?
Isso q me assusta! Desconheço... q beleza!
As coisas mudam... será q eu mudei tb?

Dança da chuva!
Encontros, desencontros e encontros...

Dizem q o tempo é o melhor remédio. Esqueceram q o acaso tb!

terça-feira, abril 21, 2009

Fantine - I Dreamed a Dream
Les Miserables


[Fantine is left alone, unemployed and destitute]

[FANTINE]
There was a time when men were kind
When their voices were soft
And their words inviting
There was a time when love was blind
And the world was a song
And the song was exciting
There was a time
Then it all went wrong

I dreamed a dream in time gone by

Sonhei um sonho com o tempo já acabado
When hope was high
Quando a esperança era alta
And life worth living
E a vida valia a pena
I dreamed that love would never die
Sonhei que esse amor nunca morreria
I dreamed that God would be forgiving
Sonhei que Deus perdoaria
Then I was young and unafraid
que eu era jovem e destemido
And dreams were made and used and wasted
Quando sonhos foram feitos e usados e desperdiçados.
There was no ransom to be paid
Não houve resgate a ser pago
No song unsung, no wine untasted
Nem canção não cantada ou vinho provado

But the tigers come at night
Mas o tigre vem a noite
With their voices soft as thunder
com sua voz suave como um trovão
As they tear your hope apart
eles despedaçam sua esperança
And they turn your dream to shame
transformando seus sonhos em vergonha

He slept a summer by my side
He filled my days with endless wonder
He took my childhood in his stride
But he was gone when autumn came

And still I dream he'll come to me

E ainda sim sonhei que ele veio até mim
That we will live the years together
E que viveríamos os anos juntos
But there are dreams that cannot be
Mas há sonhos que não podem ser
And there are storms we cannot weather
E há tempestades que não podemos prever

I had a dream my life would be
Eu tive um sonho que minha vida seria
So different from this hell I'm living
Tão diferente deste inferno que estou vivendo
So different now from what it seemed
Tão diferente daquilo que parecia
Now life has killed the dream I dreamed.
E agora a vida matou o sonho que eu sonhei.


Su:
[Tem que ver a Susan Boyle cantando! Principalmente depois de ler tudo que falam sobre ela! Ela pisou o solo da ingratidão com força! Bonito como, já que cantando, mas que azar ter que ser onde foi (na mídia, "claro")!]


O Pulo!

Parecem querer que não haja nada novo. O sucesso de um sempre atestará o fracasso de muitos. E quando antes das vozes dos tigres te alcançarem, vc mesmo não agarra em sonho o dilúvio que te transpassa e te mistura com o mundo, vc é pura enchente arrasadora ao invés daquele que precisa de água!
O grande momento sempre vai chegar... A miséria é não perceber que ele está passando. Vai tornando toda vida invisível até só ter passado e todo dia desejar pelo último!

Será que chega pra todos esse dia em que a vida é tão diferente do sonho? Certas coisas dá medo ter prova. Dá medo maior provar. Quando alguém te mostra o sangue vc sempre pensa q doeu mas não sentiu aquela dor. Vc só sente a dor a sua maneira, só a sua. Sempre será uma dúvida a dor do outro. Se eu quiser que a minha seja grande, eu a faço! Rolo no chão, grito e todos irão dizer que a minha dor era de rolar e gritar... em que parte o fato é tão diferente da sensação?
A diferença entre a vida e o sonho... Tem que chegar esse dia inteiro? Não pode ser só algumas horas? O contato que faço com a voz suave que me dissuade pode fazer morrer algo sonhado. Não sei o quanto precisa mudar um sonho pra ser considerado que morreu algo. Quando a vida toca no sonho, acho q clareia tudo que não era previsível. Quando o sonho muda, talvez o q ele era tenha morrido mas, acho, o caixão só terá corpo quando não tiverem outros sonhos velando pelo caminho...

"And they turn your dream to shame"
É o que sabe-se fazer melhor: ridicularizar o importante ((!) já é se inocentar da culpa de não se importar com nada)!

A minha sede um dia vai ser suficiente! Mas hj já é um grande momento.
[usei 1% da minha capacidade pra escrever! é que já está aqui a madrugada! Não parece mas eu queria concordar com a música...]

segunda-feira, abril 20, 2009

You Give Me Something
James Morrison
Composição: James Morrison / Eg White


You only stay with me in the morning
You only hold me when I sleep,
I was meant to tread the water
Now I've gotten into deep
For every piece of me that wants you
Another piece backs away.

'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try
,
Please give me something
'Cause someday I might know my heart.

You already waited up for hours
Just to spend a little time alone with me,
And I can say I've never bought you flowers
I can't work out what they mean,
I never thought that I'd love someone,
That was someone else's dream.

'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something,
'Cause someday I might call you from my heart,
But it might be a second too late,
And the words I could never say
Gonna come out anyway.

'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something,
'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something
'Cause someday I might know my heart.
Know my heart, know my heart, know my heart
Volcano
Damien Rice


Don't hold yourself like that
You'll hurt your knees
I kissed your mouth and back
But that's all I need

Don't build melt your world around volcanoes you down

What I am to you is not real
What I am to you you do not need
What I am to you is not what you mean to me
You give me miles and miles of mountains
And I'll ask for the sea


Don't throw yourself like that
In front of me
I kissed your mouth your back
Is that all you need?
Don't drag my love around volcanoes melt me down

What I am to you is not real
What I am to you you do not need
What I am to you is not what you mean to me
You give me miles and miles of mountains
And I'll ask for what I give to you
Is just what i'm going through
This is nothing new
No no just another phase of finding what I really need
Is what makes me bleed
And like a new disease she's still too young to treat
Volcanoes melt me down
She's still too young
I kissed your mouth
You do not need me

segunda-feira, abril 13, 2009

Noite Dos Mascarados (Ft. Elis Regina)
Chico Buarque

[Chico]
Quem é você?

[Elis]
Adivinha se gosta de mim

[Coro]
Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim

[Chico]
Quem é você?, diga logo

[Elis]
Que eu quero saber o seu jogo

[Chico]
Que eu quero morrer no seu bloco

[Elis]
Que eu quero me arder no seu fogo

[Chico]
Eu sou seresteiro, poeta e cantor

[Elis]
O meu tempo inteiro só penso no amor

[Chico]
Eu tenho um pandeiro

[Elis]
Só quero um violão

[Chico]
Eu nado em dinheiro

[Elis]
Não tenho um tostão
Fui porta-estandarte, não sei mais dançar

[Chico]
Eu, modéstia à parte, nasci para sambar

[Elis]
Eu sou tão menina

[Chico]
Meu tempo passou

[Elis]
Eu sou Colombina

[Chico]
Eu sou Pierrot

[Coro]
Mas é Carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal
Deixa a festa acabar
Deixa o barco correr
Deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira
Que você me quer
O que você pedir, eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser


Su: Com essa outra maneira de me querer eu sou da sua maneira e da minha! Como nunca foi...


Nêga Maluca

Tava jogando sinuca,
Uma nêga maluca, me apareceu,
Vinha com um filho no colo,
E dizia pro povo, que o filho era meu. (bis) ...


Su: doida, doida, doidá!
Morena dos olhos d'água
Chico Buarque/1966


Morena dos olhos d'água
Tira os seus olhos do mar
Vem ver que a vida ainda vale
O sorriso que eu tenho
Pra lhe dar

Descansa em meu pobre peito
Que jamais enfrenta o mar
Mas que tem abraço estreito, morena
Com jeito de lhe agradar

Vem ouvir lindas histórias
Que por seu amor sonhei
Vem saber quantas vitórias, morena
Por mares que só eu sei

O seu homem foi-se embora
Prometendo voltar já
Mas as ondas não tem hora, morena
De partir ou de voltar

Passa a vela e vai-se embora
Passa o tempo e vai também
Mas meu canto ainda lhe implora, morena
Agora, morena, vem


Su:
Caça caça o caçador! :0) Um bom dia antes de tudo acontecer!

domingo, abril 12, 2009

Análise
/
Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olha, que ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longamente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
12-1911 Fernando Pessoa

Su: Fora de si é mt abstrato. As vezes o quanto for bom não saber voltar é também o risco de perder-se. Que a intensidade dessa viagem sem espaço, nem tempo, com destino sem chegada não seja descobrir-se inteiramente só. Que seja o maravilhoso algo daqueles que sabem que nada é pra sempre... e se encantam mesmo assim!

"-Tens namorado, Maria?

-Tenho muitos, como tu. Pagam à hora.

-Mas tens alguém? Já te apaixonaste?

-Apaixono-me todos os dias. Dura sempre uma hora.

-(suspiro). Eu digo mesmo a sério. Amor.

-Claro. A ti, por exemplo, amo-te até ás quatro e meia.

-Alguém te magoou seriamente, jovem.

-Olha! São quatro e meia!"


Su: Quem já não teve inveja da Maria?

domingo, abril 05, 2009

Especial: a influência da TV no público feminino
As mocinhas e as vilãs das novelas têm encantado o público feminino brasileiro há muitas décadas. Mas, para uma personagem virar sucesso absoluto, não depende apenas da atriz encarnar o papel com maestria. Muito da força da personagem está na construção de seu visual, desde cabelo, maquiagem, roupas e até seu próprio nome.
É quase como matemática. A soma de uma boa atriz, mais uma história intrigante e seguida de ótima caracterização resulta num estouro de ligações para as emissoras, todas de mulheres desesperadas para saber onde encontrar aquele brinco, saia, colar que a protagonista usou. Ou mesmo descobrir como aquela atriz morena ficou com um cabelão loiro e lindo.
A mulherada fica ensandecida e a personagem vira moda nas ruas. Basta cair no gosto que já é possível ver pelas ruas mães, filhas e avós usando um visual inspirado nas novelas.
E as tendências não ficam só no look. Se a mocinha dança alguma música típica em um capítulo, lá vão as mulheres correndo atrás de aulas no outro dia. Foi o caso de Giovanna Antonelli com a dança do ventre em "O Clone", de Flávia Alessandra com pole dance em "Duas Caras", e, atualmente, Juliana Paes com dança indiana em "Caminho das Índias".
Confira mais dessas curiosidades, dicas de beleza e histórias reais em nosso especial, nos links acima.

Fonte: http://entretenimento.br.msn.com/famosidades/noticias-artigo.aspx?cp-documentid=18962924

Su: O problema está no desespero! O que deveria ser inspirador passa a ser definidor pra tanta gente. Algo tão objetivo quanto um brinco ou as vestes de um personagem passam a ser pré-requisito para uma pessoa parecer interessante. Como se fosse um dever nos fazermos interessantes segundo primeiro a imagem de um personagem que não somos, ao invés de simplesmente nos divertirmos fazendo/compartilhando algo juntos. Toda brincadeira perde a graça quando fica séria demais.
O gosto é tão subjetivo! Não existir aquela essência para consultarmos o q nós realmente gostamos não quer dizer que o que nos preenche de fora deve nos ditar ao pé da letra. Somos nas duas direções: de dentro pra fora e de fora pra dentro. Saber o q tem dentro é sempre mais difícil e como um "ressentido romântico" não poderia pretender q toda relação fosse profunda. Porém, isso não quer dizer q só existe ser superficial demais.
Eis a minha mágoa: toda tribo é preconceituosa! Achei q as "alternativas" fossem uma alternativa a isso tb mas era um ledo engano! O nome quer dizer bem mais do q a coisa em si...! Só a igualdade é celebrada e, assim, ninguém tem nada a ver com as guerras entre as diferenças só por estarem espacialmente distante delas. A pior proximidade é a ideológica, mas a ignorância ignora isso numa redundância infinita! Fica esse mundo perfeito em foto, de diferenças lado a lado, não em fato, onde esses lados se isolam! Viva a educação da sociedade!