domingo, julho 19, 2009
Chico Buarque
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
Su: O Homem Cordial = q vai de acordo com o seu coração!!
(Sérgio Buarque de Holanda)
obs.: É outra versão da "O que será"
Vou armado de dentes e coragem
Vou morder sua carne selvagem
Varo a noite sem cochilar, aflito
Amanheço imitando o seu grito
Me aproximo rondando a sua toca
E ao me ver você me provoca
Você canta a sua agonia louca
Água me borbulha na boca
Minha presa rugindo sua raça
Pernas se debatendo e o seu fervor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador
Eu me espicho no espaço feito um gato
Pra pegar você, bicho do mato
Saciar a sua avidez mestiça
Que ao me ver se encolhe e me atiça
Que num mesmo impulso me expulso e abraça
Nossas peles grudando de suor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador
(...)
(Caçada - Chico Buarque)
Vinícius de Moraes
por Chico Buarque
Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar
Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz
Su: É o final feliz de quem não só faz de conta.
quando é muito sério é muito sério
(...)
quando a gente brinca
quando a coisa é séria
quando o teu limite
é tão perfeito
quando ser brinquedo
pode ser tão sério
Pode haver um dia
em que a poesia
mude de endereço
deixe apenas tédio
mas enquanto isso
vem brincar comigo
vamos até onde
possa ser só riso
possa ir tão longe
possa ser tão lindo
pode ser brinquedo
pode ser tão sério
(Brinquedo sério - Música: Celito Espíndola e Jerry Espíndola - Letra: Alice Ruiz)
Arnaldo Antunes
"Mas não há palavra pra dizer dois corpos encostados, ou uma mão segurando um punhado de terra ou duas mãos dadas com um punhado de terra entre elas."
Arnaldo Antunes
"Passarinho é só escutar não precisa pôr na gaiola não precisa pôr na vitrola pra cantar"
Arnaldo Antunes
Su: é preciso deixar claro q passarim na gaiola é tão absurdo quanto na vitrola, sabe? É claro!
"Parecem longe mas são pequenos"
Arnaldo Antunes
As coisas tem peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, duração, densidade, cheiro, valor, consistência, profundidade, contorno, temperatura, função aparência, preço, destino, idade, sentido. As coisas não têm paz.
Arnaldo Antunes
A chuva murmurou meu nome.
Arnaldo Antunes
Um por si, cem por cento.
Arnaldo Antunes
amo e te ch
O te lefone do ho te l me
-te me-
do.
Do escuro do negro do breu da voz da noite vem
a tua voz.
Nas estrelas eu tre-
mo e me
a ti ro
a ti só a ti e a
tu: do.
Arnaldo Antunes
Su: Excelência na criatividade!
De qualquer forma atrapalho o cara: ou grifando ou comentando a respeito! Vou deixar em branco a minha parte!
:0)
Vatapa
Quem quiser vatapá, ôQue procure fazer
Primeiro o fubá
Depois o dendê
Procure uma nêga baiana, ô
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Procure uma nêga baiana, ô
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola, iaiá
Na hora de temperar
Não para de mexer, ô
Que é pra não embolar
Panela no fogo
Não deixa queimar
Com qualquer dez mil réis e uma nêga ô
Se faz um vatapá
Se faz um vatapá
E que bom vatapá
Su: muy divertida!!
sábado, julho 18, 2009
Alegre Menina
(Dori Caymmi / Jorge Amado)
Por que fizeste sultão de mim, alegre menina
Palácio real lhe dei, um trono de pedraria
Sapato bordado a ouro, esmeraldas e rubis
Ametista para os dedos, vestidos de diamantes
Escravas para serví-la, um lugar no meu dossel
E a chamei de rainha, e a chamei de rainha
Porque fizeste sultão de mim, alegre menina
Só desejava campina, colher as flores do mato
Só desejava um espelho de vidro prá se mirar
Só desejava do sol calor para bem viver
Só desejava o luar de prata prá repousar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar
No baile real levei-a, tu, alegre menina
Vestida de realeza, com princesas conversou
Com doutores praticou, dançou a dança faceira
Bebeu o vinho mais caro, mordeu fruta estrangeira *
Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira
Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira
Por que fizeste sultão de mim, alegre menina
Su: Não precisa realeza...
* linda a interpretação dessa parte.
Antes a saudade estava ruim, agora tá melhor... entende? Vc dormindo a sua vai ficar pra amanhã. A minha vai pela madrugada. E eu sonho demais... dormir é quase outra forma de estar acordada e voltar pra saudade.
Boa e ruim.
O lugar da saudade é como cabe a falta: num aperto!
Noite. Calmo, quieto, tranqüilo.
Tinha uma baratinha escondida no meu sono. Uma saudade disfarçava seu prazer!
Indas e vindas.
Quando uma saudade deixa? Quando a segunda chega.
SuN
quinta-feira, julho 16, 2009
A mãe da virgem diz que não
E o anúncio da televisão
E estava escrito no portão
E o maestro ergueu o dedo
E além da porta
Há o porteiro, sim...
E eu digo não
E eu digo não ao não
Eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir...
Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estantes, as estátuas
As vidraças, louças
Livros, sim...
Cai no areal na hora adversa que Deus concede aos seus
para o intervalo em que esteja a alma imersa em sonhos
que são Deus.
Que importa o areal, a morte, a desventura, se com Deus
me guardei
É o que me sonhei, que eterno dura e esse que regressarei.
E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir...
Parte III: Conclusão
Obs.: A parte II e III ficaram um lixo porque o sono bateu! Vou ficar devendo!! Escrevi mt mal! Parecia livro de auto ajuda! hehehe
¿Eu Vô...
Parte I : Experiência e decreptude
a) Questões:
Evolução não acontece só com o ganho (de asas, de polegares, de "luz" para o abissal), mas também com a perda. Já tivemos cauda (restando o cóccix como bela lembrança) e já vai indo embora nosso apêndice. Nessa passagem para o desaparecimento, ainda pode ocorrer alguma coisa que transforme estes vestígios em outro algo importante, de modo que nada vai tarde. Tudo é uma questão de Tempo!
Estava no pequeno quintal com meu avô, irmã e mãe. Levantei-me, fugi das farpas de nosso senhor. Quem diria que, depois, eu voltaria para um lugar completamente diferente naquela mesma hora!
Começava a se impor nosso senhor com a sua experiência de 8 décadas de vida sobre meus reles sonhos de 2 décadas! Isso porque dou sorte dele considerar que eu sonho desde 0 anos de idade! Hehehe Ou reduz a maturidade de 0 anos os meus sonhos de hoje? E a falar da decreptude de seu corpo! Sempre concordei com suas desvantagens e nunca concordei com suas conclusões! Sempre o deixei no lugar dos mais velhos que ensinam, mas é tão fato na minha vida que isso não é verdade!
A conclusão dele é de que deveria ter morrido aos 40. Por isso, deixou de viver outros 42 anos! A não ser que se mate, não querer viver acaba com a vida, mas não mata além disso. Meu conceito de bem viver é ser feliz e o raciocínio dele me parece, no mínimo, um caos sem chance pras estrelas! A questão que sobrevive é: como aprender o q ele ensina?
b) Argumentação:
Ao olhá-lo expondo mais uma vez as mesmas feridas, inconformadamente, ao se deter na decreptude que atravancava suas experiências atuais me veio à cabeça: “o lugar dele não tem que ser pior que o meu (como concordávamos há 1 milésimo de segundo atrás). É diferente”. Ele
“Mas esse corpo que não pode tanto, não pode do mesmo jeito, eu quero e ele não obedece”.
Evolução não é perder também? Não a evolução linear no sentido de que tudo acontece para o melhor e continuamos sendo a mesma espécie ou outra mais avançada... mas no sentido de que todas as diferenças dentro de uma “espécie de vida” podem produzir bens diversos. Bens não lineares, mas paralelos.
Envelhecer é uma evolução diferente da da juventude. O corpo muda. Não é o corpo que você tem que deixou as vontades da juventude falando sozinhas. É esse novo corpo que vc é que requer de vc q vc seja outro. Pode ser “essencialmente” o mesmo, mas há diferenças que te fazem um tanto outro. Pode-se, talvez, sentir-se enganado pela existência... “quanto mais eu cresço, ao invés de aprender como ser melhor numa vida só, tenho que aprender a ser melhor como jovem e, depois, quase como zerar, aprender a ser melhor de novo como velho”. Adianta dar-se conta dessas questões, porém, de que adianta estacionar nelas? Senão terá q formular outra melhor ainda: “quem eu processo: Deus ou a natureza?”. hehehe
Automaticamente a questão da experiência também fica vulnerável! Como sobrepor completamente a experiência de senhor a minha de jovem se minha juventude é diferente do que foi a sua? É fato que, como os senhores, envelhecerei também... Mas por que tudo q não foi realizado pelo senhor transforma meus planos em sonhos infantis? Aí paira o fantasma do conflito de gerações! É um conflito de realizações, na verdade. Se eu realizar o que antes não podia ou não pôde ser feito, é provável que as sensações de perda do envelhecimento aumentem. Com nosso vizinho de juventude isso já acontece só que, neste caso, ainda está “em tempo” e, no caso dos senhores, aquele tempo já passou. A nossa cultura gera esse tipo de idéia ingrata. Um tempo passou, mas outro tempo vigora. E a velhice vai se figurando, pouco a pouco, como um “nascer de novo”! Eu posso morrer amanhã tanto quanto quem se acha no fim da vida vive mais 40 anos.
Como num apelo, olhei para o meu senhor e perguntei, com cuidado (o tom de voz suave, as mãos falando com a linguagem de sinais tipo hieróglifos, olhos humildes, e só 2 décadas pra coordenar um corpo jovem inteiro!):
“se eu reconheço a sua experiência por que o senhor não reconhece a minha?”.
Assim, como a metralhadora q eu fui e tendo q dar nomes aos bois q ele não ousava nomear (mas já soltava no pasto hehehe) continuei
“não me sinto reconhecida pelo senhor e só te reconheço a distância por causa do conflito de gerações que nos impede d conversar”.
Era impressionante (ta, vai! Emocionante!) falar isso e sem ser interrompida!
“O senhor sofreu aquele acidente e isso mudou minha perspectiva de vida! Cortou o supercílio, quebrou uma clavícula e uma costela aos 81 anos, ficou confuso e hj parece novo, ou seja, eu posso viver muito! O senhor pode se isolar, mas isso não te garante deixar de existir, só que limita a sua vida.”
Tudo q ouvi, e significou MT pra mim, foi
“Vc não é mais a mesma.”
Era um momento denso porque:
- nós estávamos conversando
- eu estava refazendo meu conceito assustador de velhice de forma positiva
- e tentando mudar a vida dele também (pelo menos minhas pretensões têm coração! hehehe)
Minha proposta foi:
“A gente pode evoluir junto. Eu não vou me transformar por sua causa e nem vc por minha, mas podemos mudar um pouco pra melhor. Vc ta numa fase q eu não conheço e eu vivo uma idade q vc já teve num tempo diferente. A sua experiência pode ajudar meus sonhos a virarem planos e eu posso expandir seus horizontes”
quarta-feira, julho 15, 2009
(Jorge Vercillo)
A nascente de um sentimento
não escolhe lugar nem momento
pra surgir e suas águas claras fluir
como um rio que nasce no fundo de mim.
Tua voz me tomando por dentro
é a vazante do meu sofrimento
e a retina não deságua mais por sofrer
se a enchente do meu pensamento é você
na regência das luas em mim
teu amor correnteza sem fim
são fenômenos da natureza agindo em nós.
Teu cabelo perfumando o vento
primavera bem antes do tempo
tua pele de fruta tem cheiro de flor*
e eu que ontem vivia os invernos do amor
hoje colho um outono de paz
amanhã um verão de calor
são fenômenos da natureza em nós
*parecida com a frase "original"
terça-feira, julho 14, 2009
A resposta à primeira pergunta refere-se a um triplo recalcamento, cognitivo (já que o modelo rítmico, de origem africana, contradizia os ritmos comêtricos (regulares) europeus, aos quais o ouvido acadêmico estava acostumado), social (já que os Negros eram dominados, marginalizados e desprezados em relação à “boa sociedade”), e estético (uma vez que esse ritmo estava claramente expondo sua condição de “música de Negros”). O que podemos chamar de incontestável “vitória afro-brasileira” foi como a afirmação de uma pedagogia, um pouco como se os músicos da Escola de Samba Estácio de Sá quisessem dizer: na cultura não escrita do povo afro-brasileiro existem tradições de batucada polirítmica, desenvolvidas na escola de samba, que não podem ser reduzidas ao maxixe bem educado, embranquecido, e eis aí nosso ritmo, nosso emblema: o samba. Para a Praça Onze desceu a alma sonora dos morros, e aos poucos vai compondo-se a aquarela do Brasil, a identidade musical multiracial do povo, onde o elemento africano desenvolve um papel de fundamental importância. Os pesquisadores da música sabem que as relações étnicas e sociais no Brasil foram de dominação, de confronto e resistência, e também de interação, aliança e compromisso entre diversos setores da sociedade. Durante 500 anos de convivência, as músicas miscigenaram-se, inclusive de modo polêmico, do mesmo modo que interferiram as relações culturais, sem que nunca se deixasse de lado a questão das forças motrizes do devir estético e social, dos elementos motores nas interações sociais que participam da definição das culturas. Ou seja, ao mesmo tempo, alianças e lutas pela dominação, no encontro dos modelos estéticos, culturais e políticos. Os músicos da Estácio de Sá educaram o Brasil inteiro, encontrando na forma institucional da escola de samba – o que implicava em compromissos com forças sociais não exatamente populares (bicheiros…) – o espaço institucional para essa educação. Queremos pensar a “episteme”, o modelo epistemológico, cultural e político da educação popular, a partir desse exemplo."
Fonte: http://www.fafich.ufmg.br/nesth/IIIseminario/texto5.pdf
Su: Depois q me peguei com o danado do samba nunca mais me separei! É recente mas é pra sempre! :0) A matéria só usou o samba como exemplo. É sobre educação.
Su: Escrevi para alguém muito próximo, apesar dos problemas superficiais! :0)) Por dentro a gente sempre se encontrava... dependia do tempo, do espaço, da mata!
Cartola
Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra nao chorar.
Quero assistir o sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir o pássaros cantar,
Eu quero nascer quero viver...
Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra não chorar.
Se alguem por mim perguntar,
Diga que eu só vou voltar,
Depois que eu me encontrar...